Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Frase (minha) do dia

Tenho vontade de ler Em Busca do Tempo Perdido, mas nunca acho tempo.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Conferência de Copenhagen

Vamos pressionar os governantes a assinarem o protocolo de Copenhagen, no final do ano.

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

E-mail ao pai

"Querido pai,

Tem muitas coisas que eu nunca disse, você não procurou saber e eu não tive coragem de contar.

É chegada a hora do juízo. Você não sabe, pai, a responsabilidade que é herdar o seu nome. Não bastava seus genes, sua história, eu precisava herdar também seu nome, não é mesmo, pai?

Eu fui o primeiro filho, o varão, tudo que você sempre quis. Mais que a continuidade do sobrenome, quer dizer, no meu caso, do nome, você via em mim a possibilidade de ser a sua continuação. Você fez de mim o objeto das suas projeções. E, pior, das suas frustrações.

Querido pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você.

Por acaso, você sabe lá o que é passar toda uma existência tentando ser outra pessoa? Você sabe o que é se alistar em uma guerra, guerra que eu detestei desde o primeiro dia em que pisei lá, por sua causa? Você sabe o que é ser filho de um herói de guerra, condecorado com medalha e o escambau?

Querido pai: eu não afirmo ter medo de você. Medo, nunca tive. O que eu tinha – tive, tenho e terei -, é um desejo imenso de ser você. Tal e qual, fac símile.

Agora, chegada a hora do acerto de contas, tudo fica claro para mim. A criatura superou o criador. Eu sou o seu monstro, Dr. Frankestein.

Ninguém há de negar, existe uma coisa em que você foi fichinha, pai. Eu superei, fui o maior de todos.

Quando você entrou em guerra contra o Iraque, você sabia que tinha plenas condições de entrar lá e pegar o Saddam Hussein. Você podia ter feito isso, mas não. Você criou o monstro para que eu o matasse. Você sabia, pai, que eu ia chegar lá. Que eu ia o capturar, prender e condenar à pena de morte. Você sabia que eu faria qualquer coisa para acabar o serviço que você deixou pela metade.

Eu deixei a presidência quando iniciava a maior crise econômica desde 1929. A maior. E você, pai, qual foi o seu legado? Uma pequena recessão, um conflitozinho. Tão medíocre que nem a reeleição você conseguiu, deixando a Casa Branca para os Clinton. Fora isso, eu estarei sempre na história pelo meu sucessor. Fui eu quem passou a faixa ao primeiro presidente negro da história da América.

Eu consegui. Pai, eu consegui. Eu fui maior que você em tudo. Fui o presidente mais odiado da história dos Estados Unidos. Este é o meu legado. E você, pai, vai ser sempre e apenas isso: o pai.

Do seu, George W. Bush."

P.S. Texto produzido para o Concurso Literário da Revista Piauí. Infelizmente, não foi selecionado. Serei eu mais um daqueles gênios que só obtém reconhecimento depois de morto?

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Por que sou genial e devo entrar para a ABL

Eu ia começar este texto pedindo desculpas aos que se sentiram ofendidos pela falta de modéstia, mas depois de alguns segundos de reflexão (2 segundos, pra ser mais exato) considerei a insensatez que seria fazer isso. Pois agora “vou escrever esta história para provar que sou sublime”, como disse Fernando Pessoa.

Para começar sou capaz de citar Fernando Pessoa como ninguém. Não importa o assunto, os interlocutores, o teor alcoolico, eu sempre emplaco uma citação do poeta português. E com pertinência ao assunto em voga. É sério.

Ok, isso provavelmente não me credencia a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Pois eu garanto que no quinto argumento todos vocês (vejam bem, todos vocês, no plural) estarão convencidos de que meu nome é perfeito para a vaga.

Já que toquei no assunto, vamos ao nome, propriamente dito. Considerado o marco inicial da produção literária brasileira, a carta de Pero Vaz Caminha é endereçada a quem? El Rei Dom Manuel. Prestem bem (insisto no plural, modéstia é para os mortais), Manuel. Não Manoel, nem Emanuel. Manuel. Que nome, ora pois, seria mais adequado a ser imortalizado que o destinatário da primeira carta brasileira?

Outro ponto que não posso deixar de mencionar é sobre a alta rotatividade das cadeiras. A maioria dos escritores da Academia já se encontram na melhor idade, com poucas primaveras à frente. E a maioria dos candidatos às suas vagas também. A conseqüência é o alto revezamento de cadeiras e, tal qual os clubes de futebol, perdemos aquelas pessoas que são referência, que se identificam com a instituição. Não se vê mais o escritor que soa o fardão, que sai da Academia sangrando. Por isso mesmo, nada melhor que um imortal que ainda vai demorar a morrer.

Não sei se todos perceberam, então terei que fazer um adendo. Quando precisei me referir às pessoas nascidas antes da Invasão da Normandia, eu usei o termo Melhor Idade, preterindo outros possíveis, como idoso, velho, velhaco, decrépito, pé-na-cova, o que só realça meu bom senso e minha capacidade de sobrevivência a este tempo politicamente correto em que vivemos.

Outro detalhe que acabei esquecendo de esclarecer: você(s) deve(m) estar se perguntando: se, recentemente, nenhum imortal contrariou tal alcunha, afinal, qual cadeira estou a almejar?

É aí que esta aborrecida história fica legal. Vocês já pensaram na hipótese de perdermos o imortal-senador, autor de Marimbondos de Fogo? Pois pensem. O mundo ficaria livre, em uma tacada só, de um tenebroso escritor e um político... um político... usem qualquer adjetivo pior que tenebroso.

Digam, sem medo de inflar meu ego, mais por esta última idéia que pelos outros argumentos, eu mereço ou não o título de imortal?

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Questão existencial

Cegos se apaixonam à primeira vista?

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Divino. Maravilhoso?

Definitivamente, tem muita gente que acha que é Deus. Pessoas que, assim como os políticos de Brasília e os motoristas do Rio, acham que podem fazer o que quiser. Eu ia incluir também o Bush neste rol, mas acho que ele é um ser com mais auto-crítica. Ele não se acha Deus, mas o próprio Demo.

Voltando ao assunto divino, fiquei pensando nesta idéia (absurda) de ser Deus. Deve ser muito chato. Imagina passar uma semana inteira trabalhando, criando aqui e acolá, tirando leite de pedra, no caso tirando gente do barro, mexendo com as costelas de um para fazer o outro, escolhendo o melhor design para cada animal. E para cada árvore, claro. Ou você acha que uma goiabeira não é produto das melhores escolhas divinas?

Mas a chateação vai muito além. Imagina passar toda a vida tendo a existência questionada. “Será que o Manuel existe?” “Outro dia os cientistas britânicos realizaram um estudo definitivo: o Manuel existe.” “Se existe, por que ele não me dá uma prova?” “Na boa, o Manuel é fruto da imaginação das pessoas, para viverem com algum alento, alguma garantia.” “Manuel? Pfff.” “Manuel não joga dados com o universo.”

Tem também a tal tríade: onipotência, onipresença e onisciência. Estar em todos os lugares? Deus me livre. Eu custo a dar contar de estar aqui, agora. Ter todos os poderes até parece um pouco mais interessante. E até seria mesmo, se não fosse tão verdadeiro o tal ditado “todo poder vem acompanhado de uma responsabilidade”.

- Deus, por que não me salvou da AIDS?

- Ora, mas você nunca usou camisinha, transava com a primeira pessoa que aparecia, o que queria que eu fizesse?

- Sei lá. Podia ter feito eu brochar.

- Eu te fiz brochar. Você que tomou um Viagra depois.

- Trocasse por pílula de farinha, mandasse um meteoro na casa do vizinho. Pra tudo tem um jeito.

Mas o pior de tudo deve ser a tal da onisciência. E, por uma dessas ironias de Deus, vejo que é para onde o homem mais tem caminhado. Ora, para que serve todas estas tecnologias, internet, bluetooth, celular com câmera, conexão wireless, filmadora portátil, revista Caras, senão para que possamos cada vez mais saber de tudo, o mais rápido possível? E com o aumento dos dispositivos para adquirir informação, também cresce nossa sede por informação. E cada vez mais, a água existente não será capaz de suprir nossa sede (metaforicamente e literalmente).

Que Deus não me ouça, mas Deus escreve torto por linhas tortas. E não, Ele não sabe o que faz.

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Não que eu acredite nessas coisas

Introdução

A história do homem está intimamente ligada à capacidade de acreditar piamente em algo, e logo em seguida ter essa crença abalada. Começa logo na infância, quando assistimos a ascensão e queda de Papai Noel, coelhinho da páscoa, cegonha e a ilusão de que conseguimos passar um mês sem banho. A lista é infinita e vai se sucedendo ao longo de toda a vida. Na adolescência, por exemplo, você descobre que o tal do amor eterno é bijuteria das grossas. Aos 30 anos é o comunismo quem desmorona feito ação na bolsa. Aos 40, a ereção. E por aí vai.

Prosseguindo. Outro dia minha mãe veio me contar um caso típico desta epifania ao contrário. Ela e minha avó estavam assistindo a Quanto Mais Quente Melhor, do Billy Wilder. Meu primo, de 18 anos, que acabava de chegar à sala perguntou que filme era aquele. Minha mãe respondeu o nome, acrescentando a informação que sempre o acompanha – com a Marilyn Monroe.

Com quem?

Marilyn Monroe.

Quem?

Sim, você entendeu certo. O garoto não sabia, nunca tinha ouvido falar, era um completo ignorante em Marilyn Monroe. Nunca havia nem visto a famosa foto segurando a saia. Pronto, lá se foi minha fé de que todo terráqueo (e talvez até os ETs) conhecia Marilyn Monroe.

Toda esta enrolação foi para falar que você deve conhecer esta história. Todo mundo conhece. Pelo menos, todo mundo que sabe quem é a Marylin Monroe, e o que são Atlético e Flamengo.

No final da década de 70 e começo de 80, Atlético e Flamengo tinham os melhores times do Brasil. Nos dois estava reunida a base da seleção de 82, que encantou o mundo e fez a fama de Paolo Rossi. O Atlético havia sido o primeiro campeão brasileiro, em 71, e perdido uma final nos pênaltis, em 77, depois de passar todo o campeonato invicto.

Em 1980, o primeiro duelo. O Flamengo em busca de seu primeiro título. O Atlético procurando reparar a injustiça de 77. De um lado, o melhor camisa 10 que o Brasil produzira desde Pelé. Do outro, o melhor jogador dentro da área, segundo ninguém menos que Romário. (Zico x Reinaldo, pros leigos no assunto). Um jogo conturbado, agressões verbais de ambos os lados, agressões físicas pra cima do Rei, um juiz tendencioso, o Maracanã lotado, o Nunes driblando o Silvestre, aquele gol. Lá se foi o sonho atleticano. E lá foi o Flamengo conquistar o Brasil.

No ano seguinte os dois times se encontram novamente, dessa vez pela fase eliminatória da Libertadores. Os placares das duas primeiras partidas levam a uma partida extra, disputada em campo neutro. No caso, o Serra Dourada, em Goiânia. O campo até podia ser neutro. O juiz, não. Seria uma afronta à verdade dizer que foi uma das maiores roubalheiras do futebol brasileiro. Foi a maior. Ver o tape da partida, com as expulsões do jogadores do Galo, causa revolta. Ver especificamente a expulsão do Éder Aleixo, dá vontade de rir.

Desde então o Atlético nunca mais foi o mesmo. E as torcidas nunca mais se bicaram. Se é que um dia haviam se bicado.


Desenvolvimento

Outro dia fui com a Cris, minha namorada, ao Mineirão. Começo de namoro, quando todo dia você descobre algo novo sobre o outro. O jogo, Atlético x Flamengo. Tínhamos tudo para ganhar. Campo cheio, o adversário com alguns desfalques, eu vestindo o agasalho da sorte. Mas não. 1 a 1, apertado como brasileiro em lotação. Voltando pra casa, vem a bomba. “Na verdade, eu sou atleticana e flamenguista”.

O quê? Como você não contou antes? E você me fez assistir ao jogo todo ao lado de uma flamenguista? Assim não há agasalho da sorte que funcione.


Conclusão

Não que eu acredite nessas coisas, mas ir ao estádio acompanhado de torcedor do adversário dá um azar danado.