<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062</id><updated>2012-01-19T02:59:52.614-08:00</updated><category term='Dunga'/><title type='text'>Domingo pela  Manhã</title><subtitle type='html'>Textos escritos sob o governo da ressaca.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5278273303792654580</id><published>2010-06-23T13:42:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T14:31:28.942-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dunga'/><title type='text'>Já era, Dunga!</title><content type='html'>Dunga é um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, o manual do bom orador recomenda jamais começar discursos com frases polêmicas. Mas às favas os manuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dunga ficou nos anais da história como símbolo do jogo pragmático, do “importante-é-a-vitória-e-se-der-tem-futebol”. A malfadada Era Dunga. Cá entre nós, Dunga sempre foi um ótimo volante. Dava passes, cadenciava o jogo. Os que carecem de juventude lembram do passe de trivela para o Romário contra Camarões em 94. Pode-se argumentar que Dunga foi o capitão da seleção menos imaginativa a ganhar uma Copa até então. (A Itália em 2006 conseguiu a façanha de superar este posto). Mas não é culpa dele se os encarregados da armação possuíam a criatividade de um cabeleireiro do exército. Dunga cumpria tão bem sua função que até se dava ao luxo de se aventurar na armação das jogadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Podem reclamar do Dunga (e como reclamam), espernear, mas poucos perceberam a genialidade de sua estratégia. Depois de um breve apanhado, vocês hão de reconhecer. Recapitulando: em 2006, o Brasil possuía o melhor escrete do mundo. Havíamos acabado de ganhar a Copa das Confederações, com uma sarrafada sobre a Argentina. Ronaldinho Gaúcho era o cara. Deus havia descido sobre a Terra, se escondendo dentro da arcada dentária protuberante, o cabelo de pixaim e tudo o mais. Comentaristas não hesitavam em compará-lo ao melhor de todos, entende? Num vídeo que circulava pela internet, ele chutava a bola repetidas vezes no travessão, com a pelota sempre voltando certinha, macia, para o seu peito. Pessoas chegavam ao disparate de discutir se era verdade ou efeito de computador. A fé cegava. Ninguém duvidaria se, num acesso de Didi Mocó, ele batesse escanteio, corresse para a área e cabeceasse para as redes. Fora as profanidades de praxe: eleito melhor do mundo nos 2 anos anteriores, comandou o Barcelona nos títulos do Espanhol e da Champions League. E para completar a santa ceia futebolística, ainda havia Ronaldo. Mesmo acima do peso, ele continuava marcando seus gols pelo Real Madrid e, 4 anos antes, tinha dado provas de que qualquer prognóstico a seu respeito já nascia falacioso. Sua especialidade era derrubar opiniões de especialistas. Em 2002 ele já havia ressuscitado, não na frente de três crianças lusas, mas sim diante de 6 milhões de viventes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AO0QbC7r_lQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/AO0QbC7r_lQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a lista, extensa como a do supermercado, não se aquietava por aí. Kaká já comandava o Milan em grandes campanhas na Champions League. Adriano era a reencarnação do homônimo Imperador, com um verdadeiro petardo de esquerda. O Brasil possuía o ímpeto e a força de uma Scania na descida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que aconteceu todos sabem. Derrota, vexame, e a eliminação para a França após o massacrante 1 a 0 nas quartas de final. O culpado: a badalação ilimitada, o assédio hollywoodiano aos jogadores nos treinos. Kaká, em recente matéria da revista ESPN, sacramentou o que foi a preparação para aquela Copa. “Era a maior badalação, treinos sempre cheios de pessoas. É legal uma vez ou outra, mas o atleta, num período de Copa, precisa ter um treino só com o grupo, só com jogadores. Um treino mais concentrado, onde você pode errar, xingar”, segundo as palavras do melhor jogador virgem da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então qual seria a saída para o sucessor de Parreira? Galináceo dos mais pragmáticos que já ciscou pela Granja Comary, Dunga sabia que para retomar a credibilidade da Celessão seria obrigatório acabar com o furdunço quando os jogadores estivessem reunidos. E é aí, miguxos da Rede Globo, que Dunga mostrou ser dono de uma genialidade ímpar. O time do Brasil só era assediado porque detinha os maiores craques do planeta, capazes de malabarismos incríveis, lances para a posteridade. Extirpando os craques do time, cessaria também o assédio cancerígeno. Todos queriam ver Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano, os magos da bola, encantarem os olhos infantis de todo amante do futebol. O fascínio pelo futebol é simples. O que todos querem ver não vai muito além do coelho saindo da cartola. Agora, nesta atual seleção, o que os treinamentos do Brasil nos oferecem não passa da visão macroscópica de um formigueiro. E eu lhes pergunto: quem, em saudável consciência, sairia de casa para ver os operários Felipe Melo, Josué, Elano, Klebérson e Michel Bastos carregando suas folhas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil pode perder por falta de criatividade, pelas parcas opções de jogo, pelo excesso de volantes. Mas uma segurança todos temos. A farra e a patuscada não serão nossos algozes nesta Copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, um gênio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5278273303792654580?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5278273303792654580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5278273303792654580&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5278273303792654580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5278273303792654580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2010/06/o-expoente-dunga.html' title='Já era, Dunga!'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4560073685917027563</id><published>2009-12-17T12:28:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T12:31:33.837-08:00</updated><title type='text'>Abraços Partidos - crítica</title><content type='html'>Como meus dois leitores (Cris e Rick) vem constantemente me perguntando porque eu não escrevo mais, revolvi picaretar mais uma vez e publicar um texto que fiz pra outra coisa. Trata-se da crítica do filme Abraços Partidos, que escrevi para um grupo de discussão cinematográfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CUIDADO. Contém spoilers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços Partidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um filme inclui referências ao mundo cinematográfico é quase consenso dizer que se trata de uma homenagem ao cinema. E se na maioria das vezes não é mentira, vale a pena refletir até que ponto isto é relevante no enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das críticas sobre Abraços Partidos, o novo filme de Pedro Almodóvar, pode-se afirmar de antemão que 11 em cada 10 pessoas vão falar sobre a tal homenagem ao cinema. Afinal, a película narra a história de Mateo, um ex-diretor que ficou cego e agora se dedica a escrever roteiros. Ele é amparado por sua amarga e fiel escudeira, e o filho dela, Diego. Quando um estranho rapaz, de nome ainda mais bizarro, Ray-X, vai à casa de Mateo pedir-lhe que escreva um roteiro por encomenda, a história volta alguns anos no tempo e conta a paixão proibida de Mateo, então um aclamado diretor, e a pretendente a atriz Lena, interpretada por Penélope Cruz. Paixão que se torna proibida pelo fato de Lena ser casada com Ernesto, o empresário que financia o filme de Mateo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a abertura, com a imagem sendo vista através do enquadramento de uma câmera, o filme constrói toda sua narrativa a partir da ótica do cinema, incluindo cenas de bastidores de uma filmagem, bem como os “filmes documentais” que o filho de Ernesto faz enquanto vigia Lena e Mateo. A personagem que Lena interpreta no filme dentro do filme é uma clara (e assumida) referência a Audrey Hepburn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez seja a frase final que melhor resuma a metalinguagem do filme. “As películas tem que ser terminadas, ainda que às cegas.”, soa como um pedido de desculpas pelo final estranho, alegre até demais, e pouco condizente com o resto da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, convém analisar outros aspectos da obra, com o intuito de não ficar restrito apenas a um ponto da trama. É curioso ver, por exemplo, mais uma vez Almodóvar usando cores fortes nos figurinos e cenários. Arrisco a dizer que em mais de 90% das cenas algum elemento de cor vermelha se destaca, provavelmente para nos lembrar de que mais do qualquer coisa, ali está se contando uma história de amor e paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um outro ponto da história, a metalinguagem se manifesta de forma menos óbvia; Mateo conta a sua assistente a história de um pai escritor que renega o filho com Síndrome de Down por anos. O filho, mais tarde, durante uma solenidade em que o pai é homenageado, sobe ao palco e o abraça, se dizendo orgulhoso do pai. É isso que Almodóvar espera de seu filme: mesmo que muitas vezes o autor não esteja completamente satisfeito com sua obra, esta nunca vai o negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também a figura de Ernesto, o marido traído, que encarrega o filho de vigiar a esposa com sua câmera. Mais tarde, com o auxílio de uma especialista em leitura labial, tenta interpretar o que sua esposa diz. Não por coincidência, Ernesto ocupa o cargo de produtor do filme, geralmente uma pessoa que, apesar de envolvida com o processo de filmagem, sozinha pouco consegue “enxergar” da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se estendermos este raciocínio a outras seqüências, há ainda a cena em que Mateo sai do hospital e é guiado pelo pequeno Diogo em uma fria praia (a obra a conduzir o autor); quando Diogo tenta remontar as fotos rasgadas de Mateo e Lena (um filme como tentativa de redenção com o passado); a cena em que Ernesto Jr filma o último beijo do casal Mateo e Lena (a visão do público sobre a relação autor/obra); e principalmente a cegueira do personagem de Mateo (dificuldade em enxergar a própria obra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que comecei o texto pondo em dúvida a legitimidade da suposta homenagem ao cinema contida em Abraços Partidos, acabo concluindo que ela é maior do que imaginava; Almodóvar parece não só refletir sobre o fazer cinematográfico, mas também as motivações de um autor e sua relação com a obra depois de finalizada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4560073685917027563?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4560073685917027563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4560073685917027563&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4560073685917027563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4560073685917027563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/12/abracos-partidos-critica.html' title='Abraços Partidos - crítica'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-6448529426709958036</id><published>2009-06-03T16:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T16:12:27.656-07:00</updated><title type='text'>Frase (minha) do dia</title><content type='html'>Tenho vontade de ler Em Busca do Tempo Perdido, mas nunca acho tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-6448529426709958036?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/6448529426709958036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=6448529426709958036&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6448529426709958036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6448529426709958036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/06/frase-minha-do-dia.html' title='Frase (minha) do dia'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4614868688140668589</id><published>2009-05-18T12:28:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T12:29:20.402-07:00</updated><title type='text'>Conferência de Copenhagen</title><content type='html'>Vamos pressionar os governantes a assinarem o protocolo de Copenhagen, no final do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9bJyNqb7dG8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9bJyNqb7dG8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4614868688140668589?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4614868688140668589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4614868688140668589&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4614868688140668589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4614868688140668589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/05/conferencia-de-copenhagen.html' title='Conferência de Copenhagen'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4110717222714782558</id><published>2009-04-09T12:16:00.000-07:00</published><updated>2009-04-17T06:55:31.896-07:00</updated><title type='text'>E-mail ao pai</title><content type='html'>"Querido pai,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem muitas coisas que eu nunca disse, você não procurou saber e eu não tive coragem de contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É chegada a hora do juízo. Você não sabe, pai, a responsabilidade que é herdar o seu nome. Não bastava seus genes, sua história, eu precisava herdar também seu nome, não é mesmo, pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui o primeiro filho, o varão, tudo que você sempre quis. Mais que a continuidade do sobrenome, quer dizer, no meu caso, do nome, você via em mim a possibilidade de ser a sua continuação. Você fez de mim o objeto das suas projeções. E, pior, das suas frustrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso, você sabe lá o que é passar toda uma existência tentando ser outra pessoa? Você sabe o que é se alistar em uma guerra, guerra que eu detestei desde o primeiro dia em que pisei lá, por sua causa? Você sabe o que é ser filho de um herói de guerra, condecorado com medalha e o escambau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido pai: eu não afirmo ter medo de você. Medo, nunca tive. O que eu tinha – tive, tenho e terei -, é um desejo imenso de ser você. Tal e qual, fac símile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, chegada a hora do acerto de contas, tudo fica claro para mim. A criatura superou o criador. Eu sou o seu monstro, Dr. Frankestein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém há de negar, existe uma coisa em que você foi fichinha, pai. Eu superei, fui o maior de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você entrou em guerra contra o Iraque, você sabia que tinha plenas condições de entrar lá e pegar o Saddam Hussein. Você podia ter feito isso, mas não. Você criou o monstro para que eu o matasse. Você sabia, pai, que eu ia chegar lá. Que eu ia o capturar, prender e condenar à pena de morte. Você sabia que eu faria qualquer coisa para acabar o serviço que você deixou pela metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deixei a presidência quando iniciava a maior crise econômica desde 1929. A maior. E você, pai, qual foi o seu legado? Uma pequena recessão, um conflitozinho. Tão medíocre que nem a reeleição você conseguiu, deixando a Casa Branca para os Clinton. Fora isso, eu estarei sempre na história pelo meu sucessor. Fui eu quem passou a faixa ao primeiro presidente negro da história da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu consegui. Pai, eu consegui. Eu fui maior que você em tudo. Fui o presidente mais odiado da história dos Estados Unidos. Este é o meu legado. E você, pai, vai ser sempre e apenas isso: o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do seu, George W. Bush."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;P.S. Texto produzido para o Concurso Literário da Revista Piauí. Infelizmente, não foi selecionado. Serei eu mais um daqueles gênios que só obtém reconhecimento depois de morto?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4110717222714782558?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4110717222714782558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4110717222714782558&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4110717222714782558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4110717222714782558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/04/e-mail-ao-pai.html' title='E-mail ao pai'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4119152044224324944</id><published>2009-02-18T13:12:00.001-08:00</published><updated>2009-02-18T13:12:51.046-08:00</updated><title type='text'>Por que sou genial e devo entrar para a ABL</title><content type='html'>Eu ia começar este texto pedindo desculpas aos que se sentiram ofendidos pela falta de modéstia, mas depois de alguns segundos de reflexão (2 segundos, pra ser mais exato) considerei a insensatez que seria fazer isso. Pois agora “vou escrever esta história para provar que sou sublime”, como disse Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar sou capaz de citar Fernando Pessoa como ninguém. Não importa o assunto, os interlocutores, o teor alcoolico, eu sempre emplaco uma citação do poeta português. E com pertinência ao assunto em voga. É sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, isso provavelmente não me credencia a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Pois eu garanto que no quinto argumento todos vocês (vejam bem, todos vocês, no plural) estarão convencidos de que meu nome é perfeito para a vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que toquei no assunto, vamos ao nome, propriamente dito. Considerado o marco inicial da produção literária brasileira, a carta de Pero Vaz Caminha é endereçada a quem? El Rei Dom Manuel. Prestem bem (insisto no plural, modéstia é para os mortais), Manuel. Não Manoel, nem Emanuel. Manuel. Que nome, ora pois, seria mais adequado a ser imortalizado que o destinatário da primeira carta brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto que não posso deixar de mencionar é sobre a alta rotatividade das cadeiras. A maioria dos escritores da Academia já se encontram na melhor idade, com poucas primaveras à frente. E a maioria dos candidatos às suas vagas também. A conseqüência é o alto revezamento de cadeiras e, tal qual os clubes de futebol, perdemos aquelas pessoas que são referência, que se identificam com a instituição. Não se vê mais o escritor que soa o fardão, que sai da Academia sangrando. Por isso mesmo, nada melhor que um imortal que ainda vai demorar a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se todos perceberam, então terei que fazer um adendo. Quando precisei me referir às pessoas nascidas antes da Invasão da Normandia, eu usei o termo Melhor Idade, preterindo outros possíveis, como idoso, velho, velhaco, decrépito, pé-na-cova, o que só realça meu bom senso e minha capacidade de sobrevivência a este tempo politicamente correto em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe que acabei esquecendo de esclarecer: você(s) deve(m) estar se perguntando: se, recentemente, nenhum imortal contrariou tal alcunha, afinal, qual cadeira estou a almejar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que esta aborrecida história fica legal. Vocês já pensaram na hipótese de perdermos o imortal-senador, autor de Marimbondos de Fogo? Pois pensem. O mundo ficaria livre, em uma tacada só, de um tenebroso escritor e um político... um político... usem qualquer adjetivo pior que tenebroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digam, sem medo de inflar meu ego, mais por esta última idéia que pelos outros argumentos, eu mereço ou não o título de imortal?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4119152044224324944?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4119152044224324944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4119152044224324944&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4119152044224324944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4119152044224324944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/02/por-que-sou-genial-e-devo-entrar-para.html' title='Por que sou genial e devo entrar para a ABL'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5071618175972469642</id><published>2009-02-05T10:13:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T10:14:18.252-08:00</updated><title type='text'>Questão existencial</title><content type='html'>Cegos se apaixonam à primeira vista?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5071618175972469642?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5071618175972469642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5071618175972469642&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5071618175972469642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5071618175972469642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2009/02/questao-existencial.html' title='Questão existencial'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5265742008941428313</id><published>2008-12-16T11:02:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T11:03:38.504-08:00</updated><title type='text'>Divino. Maravilhoso?</title><content type='html'>Definitivamente, tem muita gente que acha que é Deus. Pessoas que, assim como os políticos de Brasília e os motoristas do Rio, acham que podem fazer o que quiser. Eu ia incluir também o Bush neste rol, mas acho que ele é um ser com mais auto-crítica. Ele não se acha Deus, mas o próprio Demo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao assunto divino, fiquei pensando nesta idéia (absurda) de ser Deus. Deve ser muito chato. Imagina passar uma semana inteira trabalhando, criando aqui e acolá, tirando leite de pedra, no caso tirando gente do barro, mexendo com as costelas de um para fazer o outro, escolhendo o melhor design para cada animal. E para cada árvore, claro. Ou você acha que uma goiabeira não é produto das melhores escolhas divinas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a chateação vai muito além. Imagina passar toda a vida tendo a existência questionada. “Será que o Manuel existe?” “Outro dia os cientistas britânicos realizaram um estudo definitivo: o Manuel existe.” “Se existe, por que ele não me dá uma prova?” “Na boa, o Manuel é fruto da imaginação das pessoas, para viverem com algum alento, alguma garantia.” “Manuel? Pfff.” “Manuel não joga dados com o universo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também a tal tríade: onipotência, onipresença e onisciência. Estar em todos os lugares? Deus me livre. Eu custo a dar contar de estar aqui, agora. Ter todos os poderes até parece um pouco mais interessante. E até seria mesmo, se não fosse tão verdadeiro o tal ditado “todo poder vem acompanhado de uma responsabilidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus, por que não me salvou da AIDS?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, mas você nunca usou camisinha, transava com a primeira pessoa que aparecia, o que queria que eu fizesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá. Podia ter feito eu brochar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te fiz brochar. Você que tomou um Viagra depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trocasse por pílula de farinha, mandasse um meteoro na casa do vizinho. Pra tudo tem um jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior de tudo deve ser a tal da onisciência. E, por uma dessas ironias de Deus, vejo que é para onde o homem mais tem caminhado. Ora, para que serve todas estas tecnologias, internet, bluetooth, celular com câmera, conexão wireless, filmadora portátil, revista Caras, senão para que possamos cada vez mais saber de tudo, o mais rápido possível? E com o aumento dos dispositivos para adquirir informação, também cresce nossa sede por informação. E cada vez mais, a água existente não será capaz de suprir nossa sede (metaforicamente e literalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Deus não me ouça, mas Deus escreve torto por linhas tortas. E não, Ele não sabe o que faz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5265742008941428313?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5265742008941428313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5265742008941428313&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5265742008941428313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5265742008941428313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/12/divino-maravilhoso.html' title='Divino. Maravilhoso?'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-3336162318460590548</id><published>2008-11-26T05:35:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T05:36:04.196-08:00</updated><title type='text'>Não que eu acredite nessas coisas</title><content type='html'>Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do homem está intimamente ligada à capacidade de acreditar piamente em algo, e logo em seguida ter essa crença abalada. Começa logo na infância, quando assistimos a ascensão e queda de Papai Noel, coelhinho da páscoa, cegonha e a ilusão de que conseguimos passar um mês sem banho. A lista é infinita e vai se sucedendo ao longo de toda a vida. Na adolescência, por exemplo, você descobre que o tal do amor eterno é bijuteria das grossas. Aos 30 anos é o comunismo quem desmorona feito ação na bolsa. Aos 40, a ereção. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo. Outro dia minha mãe veio me contar um caso típico desta epifania ao contrário. Ela e minha avó estavam assistindo a Quanto Mais Quente Melhor, do Billy Wilder. Meu primo, de 18 anos, que acabava de chegar à sala perguntou que filme era aquele. Minha mãe respondeu o nome, acrescentando a informação que sempre o acompanha – com a Marilyn Monroe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marilyn Monroe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, você entendeu certo. O garoto não sabia, nunca tinha ouvido falar, era um completo ignorante em Marilyn Monroe. Nunca havia nem visto a famosa foto segurando a saia. Pronto, lá se foi minha fé de que todo terráqueo (e talvez até os ETs) conhecia Marilyn Monroe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda esta enrolação foi para falar que você deve conhecer esta história. Todo mundo conhece. Pelo menos, todo mundo que sabe quem é a Marylin Monroe, e o que são Atlético e Flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da década de 70 e começo de 80, Atlético e Flamengo tinham os melhores times do Brasil. Nos dois estava reunida a base da seleção de 82, que encantou o mundo e fez a fama de Paolo Rossi. O Atlético havia sido o primeiro campeão brasileiro, em 71, e perdido uma final nos pênaltis, em 77, depois de passar todo o campeonato invicto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1980, o primeiro duelo. O Flamengo em busca de seu primeiro título. O Atlético procurando reparar a injustiça de 77. De um lado, o melhor camisa 10 que o Brasil produzira desde Pelé. Do outro, o melhor jogador dentro da área, segundo ninguém menos que Romário. (Zico x Reinaldo, pros leigos no assunto). Um jogo conturbado, agressões verbais de ambos os lados, agressões físicas pra cima do Rei, um juiz tendencioso, o Maracanã lotado, o Nunes driblando o Silvestre, aquele gol. Lá se foi o sonho atleticano. E lá foi o Flamengo conquistar o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte os dois times se encontram novamente, dessa vez pela fase eliminatória da Libertadores. Os placares das duas primeiras partidas levam a uma partida extra, disputada em campo neutro. No caso, o Serra Dourada, em Goiânia. O campo até podia ser neutro. O juiz, não. Seria uma afronta à verdade dizer que foi uma das maiores roubalheiras do futebol brasileiro. Foi a maior. Ver o tape da partida, com as expulsões do jogadores do Galo, causa revolta. Ver especificamente a expulsão do Éder Aleixo, dá vontade de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então o Atlético nunca mais foi o mesmo. E as torcidas nunca mais se bicaram. Se é que um dia haviam se bicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolvimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia fui com a Cris, minha namorada, ao Mineirão. Começo de namoro, quando todo dia você descobre algo novo sobre o outro. O jogo, Atlético x Flamengo. Tínhamos tudo para ganhar. Campo cheio, o adversário com alguns desfalques, eu vestindo o agasalho da sorte. Mas não. 1 a 1, apertado como brasileiro em lotação. Voltando pra casa, vem a bomba. “Na verdade, eu sou atleticana e flamenguista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê? Como você não contou antes? E você me fez assistir ao jogo todo ao lado de uma flamenguista? Assim não há agasalho da sorte que funcione.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu acredite nessas coisas, mas ir ao estádio acompanhado de torcedor do adversário dá um azar danado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-3336162318460590548?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/3336162318460590548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=3336162318460590548&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3336162318460590548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3336162318460590548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/11/no-que-eu-acredite-nessas-coisas.html' title='Não que eu acredite nessas coisas'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5950149827482523612</id><published>2008-11-18T10:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T10:12:01.612-08:00</updated><title type='text'>Retorno interno</title><content type='html'>Sim, eu voltei. Se isso é bom, não sei. Mas sei que voltei.&lt;br /&gt;Quer dizer, vou voltar, porque texto novo que é bom, neca de caritipipa. Mas prometo me dedicar, me empenhar e me saracotear para escrever coisas novas. E também prometo usar expressões menos antigas que neca de caritipipa e saracotear. Vou parar de escrever antes que eu comece a prometer coisas piores, como meus bens, trabalhar fim de semana ou assistir a um jogo inteiro da Seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana que vem tem texto novo, ou eu não me chamo Manoel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5950149827482523612?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5950149827482523612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5950149827482523612&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5950149827482523612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5950149827482523612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/11/retorno-interno.html' title='Retorno interno'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1139826723824553356</id><published>2008-05-04T06:50:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T10:35:05.654-07:00</updated><title type='text'>O pior cego</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;No dia em que o filho acusou a cegueira, o pai tentou marcar uma consulta com o médico. Só havia horário no dia seguinte e em plena hora do rush. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Como não basta ser pai, lá foi o patriarca com o filho para o médico. Dificuldade para estacionar, engarrafamentos, carros fechando cruzamento, aquele caos que todos que moram em grandes cidades conhecem. Só na recepção, ao ouvir a secretária conversando com outro paciente, o menino descobriu que o médico a que estava prestes a consultar não era um especialista em olhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Pai, eu não preciso de um psicólogo. E sim de um oftalmologista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Como num passo de comédia, o médico abriu a porta exatamente na hora em que o menino proferia tais palavras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Oi, Doutor. Desculpa o menino – e com vergonha das outras pessoas que estavam na sala de espera, completou, deixa eu explicar isso melhor lá dentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O menino não dava trégua, resistiu como ateu a entrar na igreja, gritou, esperneou, mas de nada adiantou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Sabe como são esses meninos de hoje, já foi se desculpando o pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Eu estou cego. Será que ninguém me ouve? Fiquei mudo também, ora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Doutor, deixa eu te contar o ocorrido. O menino gosta muito de literatura, eu até faço muito gosto disso. Tem menino na idade dele que, tirando a data de validade de camisinha, não lê nada. Pois agora ele estava lendo aquele livro do José Saramago em que todo mundo fica cego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Ensaio Sobre a Cegueira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Isso. E quando ele estava quase no meio do livro, cismou que tinha cegado também, igual aos personagens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Mas, com todo o respeito, pode ter sido uma coincidência ele ter cegado enquanto lia o livro. Isso não descarta a possibilidade dele ter alguma lesão no olho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Arrá, viu. Até que enfim alguém acredita em mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Doutor, da música você não sabe nem o refrão. Eu posso te provar que é psicológico por um simples motivo; não é a primeira vez que isso acontece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Ele já ficou cego outras vezes?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Não, Doutor. Mas você já leu 100 Anos de Solidão? Lembra que de repente começava a chover em Macondo e não parava mais? Pois então. O moleque passou pelo menos 3 meses andando com guarda-chuva, mesmo que fizesse sol. Ia pra escola, dormia, jogava futebol, tudo com o guarda-chuva de cônjugue. O menino segurava o guarda-chuva até para tomar banho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Que estranho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Que inhaca, isso sim. Eu até proíbe ele de sair de casa. E o Doutor acredita que ele achou melhor, porque assim não precisava enfrentar a chuva. E um calor de derreter cabelo lá fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Estava chovendo sim, Doutor. Não acredita nele. E eu preciso de um oftalmologista, céus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Ah, Doutor, mas essa vez nem foi a pior. Quando ele resolveu ler Kafka, foi um inferno. Na décima página de Metamorfose ele já se achava um inseto, quase teve um troço quando viu um inseticida no banheiro. Chamou os pais de assassinos. O que eu faço com este menino, Doutor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Bem, eu vou receitar um remédio e algumas precauções. Em breve ele já deve apresentar uma melhora significativa. Mas acho aconselhável que você realmente o leve a um oftalmologista. Só para desencargo de consciência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Despediram-se cordialmente. O filho ainda se mantinha hostil àquela consulta e insistindo para que o pai o levasse ao oftalmologista imediatamente. Por conta da intempérie, o pai não dispensou, naquele momento, a atenção necessária à receita. Já no carro, depois de acomodado o filho, leu o que receitou o doutor; “Esta cegueira deve passar logo. Mas, para o seu bem e da sua esposa, acho melhor manter o menino longe de qualquer exemplar de Édipo Rei”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1139826723824553356?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1139826723824553356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1139826723824553356&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1139826723824553356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1139826723824553356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/05/o-pior-cego.html' title='O pior cego'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-6882485388867489150</id><published>2008-04-15T12:09:00.000-07:00</published><updated>2008-04-15T12:11:11.056-07:00</updated><title type='text'>Caiu a conexão (ou Estragou a Televisão versão 2.0)</title><content type='html'>- Você tá conseguindo usar a internet?&lt;br /&gt;- Não. Acho que caiu a conexão.&lt;br /&gt;- A minha também.&lt;br /&gt;- Saco.&lt;br /&gt;- O que é isso?&lt;br /&gt;- Isso o que?&lt;br /&gt;- Em cima de sua mesa.&lt;br /&gt;- Ah, a foto da minha filha.&lt;br /&gt;- Sério? Achava que a Nina tinha no máximo uns 3 anos.&lt;br /&gt;- Fez 13 semana passada. Eu convidei todo mundo, por que você não foi?&lt;br /&gt;- Convidou? Não lembro.&lt;br /&gt;- Foi. Coloquei o convite no nick do Messenger.&lt;br /&gt;- Ah, então era você. Eu vi, mas não associei o e-mail à pessoa.&lt;br /&gt;- E nesta foto, é o seu filho?&lt;br /&gt;- É, o Fernando.&lt;br /&gt;- Fernando? Jurava que era algo que rimava com Créu: Gabriel, Daniel, Manuel…&lt;br /&gt;- Putz, eu trabalho bem ao seu lado, todo dia, e há quanto tempo a gente não conversava.&lt;br /&gt;- Verdade. Esse nosso diálogo me lembrou um texto do Veríssimo que recebi pela internet, acho que se chama "Estragou a Televisão".&lt;br /&gt;- Não conheço. Mas será que é dele mesmo? Já percebeu que todos os textos que você recebe por e-mail são do Veríssimo, do Arnaldo Jabor ou do Shakespeare?&lt;br /&gt;- É mesmo. Mas esse é do Veríssimo mesmo.&lt;br /&gt;- Você leu em algum livro dele?&lt;br /&gt;- Não, mas tem no site oficial. Bem, narra a história de um casal quando a TV estraga e, como não têm mais nada pra fazer, eles resolvem conversar. E acabam descobrindo que… Não, vou deixar você mesmo descobrir. Espera um minutinho que vou procurar o texto e envio para você.&lt;br /&gt;- Ué, a internet voltou?&lt;br /&gt;- É mesmo, tinha esquecido que estávamos sem conexão.&lt;br /&gt;- Mas é até bom, assim a gente pode colocar o papo em dia.&lt;br /&gt;- Pois é, mas depois a gente marca um boteco. Agora a conexão voltou, tenho que olhar meus e-mails.&lt;br /&gt;- Beleza, qualquer coisa me chama aqui pelo Messenger.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-6882485388867489150?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/6882485388867489150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=6882485388867489150&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6882485388867489150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6882485388867489150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/04/caiu-conexo-ou-estragou-televiso-verso.html' title='Caiu a conexão (ou Estragou a Televisão versão 2.0)'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-8711512742044821807</id><published>2008-03-25T14:36:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T06:11:57.845-07:00</updated><title type='text'>Crença Centenária</title><content type='html'>Eu não acredito em Deus e essas coisas todas que a Igreja Católica prega, como anjos, apóstolos e padres-não-pedófilos. Não acredito em Buda, mesmo tendo muita simpatia pelos budistas. Não acredito em Maomé, e aqui não declaro minha simpatia por medo dos fanáticos de ambos os lados da Guerra contra o terror. Eu não acredito em duendes, gnomos e no Diogo Mainardi. Mas eu acredito no futebol. E mais, sou um extremista. Pertenço a uma religião monoteísta. Meu Deus, único, é o Atlético. Não, na maioria das vezes eu não acredito que o Galo vá ganhar. Mas como um católico, o atleticano vive em função do juízo final. Freqüentamos os cultos no templo do Mineirão, oramos nossos hinos e brados retumbantes, ajoelhamos, prometemos, fazemos sacrifícios. Tudo porque sabemos que um dia virá a redenção. Sim, ela há de vir. Como Atleticano Ortodoxo que sou, eu tenho esta crença. Uma crença que nasceu há exatos 100 anos. Mas além da religião Atleticana, existem outras variáveis de ser atleticano. O atleticanista, que seria a vertente política do atleticano. Qual a importância da má distribuição de renda ou ditadura cubana perto de uma derrota do Atlético? Já o atleticômano é um viciado no Galo. Sua felicidade depende da droga do Atlético, com o perdão do trocadilho. Quanto mais ele experimenta, mais quer. Uma abstinência de vitórias tem o mesmo efeito de uma seca de cocaína. Tem também o atletiqueiro, que vem de original do Atlético, aquele que nasce com um único orgão vital, o Galo, responsável por irrigar com sangue os músculos aguerridos. O único órgão preto e branco do corpo humano. E que pode ter um ataque em uma derrota injusta do Atlético. Pensando bem, todas as derrotas do Galo são injustas. Enfim, existem todos os tipos de atleticanos imagináveis, embora a maioria seja inimaginável. Mas uma coisa que nunca existiu é o atleticano não-praticante. Aquele que não pensa Nele todos os dias. Que não canta por Ele, não sofre por Ele. Que não O tem onipresente. Talvez eu esteja sendo excessivamente parcial. Ora, mas não é o amor um cego?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-8711512742044821807?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/8711512742044821807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=8711512742044821807&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8711512742044821807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8711512742044821807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/03/crena-centenria.html' title='Crença Centenária'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1249184531897303671</id><published>2008-03-17T21:06:00.000-07:00</published><updated>2008-03-17T21:08:05.155-07:00</updated><title type='text'>Liberdade ainda que tardia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Para Antônio, o melhor momento do dia era quando chegava em casa, depois de horas de labuta intensa, e tirava os sapatos. Você deve estar pensando, mais uma história de um trabalhador sofrido, com uma vida desgraçada, oprimido pela rotina exigida pelo capitalismo. Mas Antônio tinha uma peculiaridade: era um dos empresários mais bem-sucedidos do Brasil, um típico caso de self-made-man. Ora, por que um homem milionário se submeteria à tortura de um sapato desconfortável? E aí que entra ironia da história. Antônio começou a carreira numa fábrica que produzia calçados, mas muito desconfortáveis. Decidiu abrir uma fábrica para produzir sapatos que cumprissem as funções básicas de um calçado, ser confortável e durável. Numa estratégia de marketing ousada, ele se tornou o garoto-propaganda da marca. E no primeiro comercial ele garantiu que os sapatos eram tão confortáveis, que ele sempre usaria o sapato para trabalhar. O sucesso foi mais instantâneo e durou muito mais que Antônio podia prever. 15 anos depois, a fábrica era uma das maiores do país e a estratégia de marketing ainda era baseada na figura do seu presidente, que ainda usava o mesmo sapato com que fora trabalhar no primeiro dia da empresa. Uma puberdade depois, o sapato ainda mantinha certo charme, mas nenhum conforto. Seu pé havia crescido, sendo reprimido pela tirania do couro. Por isso todos os dias trabalhava sonhando com o momento em que pudesse voltar para casa e tirar aquele sapato. A pedra no seu sapato era o próprio sapato. O mesmo sapato que havia lhe trazido a fortuna e calos na mesma proporção. Bendito sapato. Por causa dele, havia conseguido tudo. Maldito sapato. Por causa dele, sua vida havia se tornado um inferno. Evitava aparecer em público, para não ser visto sem o sapato. Não ia a festas, casamentos, jogos de futebol, reuniões de condomínio. Havia se tornado recluso. Passara a viver uma prisão domiciliar muito peculiar. Afinal, a vítima era quem tinha a liberdade podada. Mas toda história de opressão tem um final trágico. Vide os recentes episódios dos monges no Tibete e do Romário no Vasco, que teve a liberdade de chegar tarde tolhida. Certo dia tomou a decisão que há tanto sonhava. Munido de coragem, álcool e fósforo, incendiou o par de sapatos. Era a única maneira de conseguir a tão sonhada liberdade. Tal qual William Wallace nas dublagens da Globo, Antônio berrava “Liberdade” enquanto via o decano sapato arder nas chamas da inquisição. Quando, no dia seguinte, contou ao departamento de marketing o que tinha feito, quase provocou o infarto de uns 10 sujeitos. É o fim, disse um. O apocalipse da empresa, sentenciou outro. Que nada, justificou Antônio, já tenho tudo na cachola. Eu guardei as cinzas dentro da caixa, a primeira fornada de caixas de sapato que a empresa produziu. E agora vou carregar as cinzas do sapato para onde for, mostrando minha devoção pelo ente perdido. Vocês tratem de arrumar algum culpado para o incêndio. Digam que foi a concorrência, sei lá. Porque, meus amigos, agora eu quero aproveitar a vida, curtir minha liberdade. Vai viajar, senhor, perguntou um aspone do primeiro escalão. Que nada, vou trabalhar de chinelo. Isto é liberdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1249184531897303671?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1249184531897303671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1249184531897303671&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1249184531897303671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1249184531897303671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/03/liberdade-ainda-que-tardia.html' title='Liberdade ainda que tardia'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-3238898782643138</id><published>2008-02-28T14:19:00.000-08:00</published><updated>2008-02-29T05:41:33.421-08:00</updated><title type='text'>Perseguição Implacável</title><content type='html'>Andava pela rua, com o passo leve de quem não pretende chegar a lugar algum. Era hora do almoço e as pessoas andavam correndo para cá e para lá, talvez por fome, talvez por não saber mais andar de outro jeito. Eu não estava lá muito faminto, nem tinha um objetivo imediato qualquer que me impelisse a ir no ritmo da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me aproximava de uma esquina, vi uma mulher… digamos…  Bem, ela me fez acreditar que nenhum adjetivo já existente seria digno para descrevê-la. Nenhuma palavra que eu usasse faria jus à ela. Era a mulher com quem eu gostaria de passar o resto da vida, mesmo que eu morresse aos 200 anos. Corra atrás de seus sonhos. Só se vive uma vez. Você é do tamanho dos seus sonhos. A vida é aqui e agora. Querer é poder. Todos estes clichês que o mundo ocidental produziu nos últimos 50 anos vieram à minha cabeça, e num é que conseguiram me convencer de que eu deveria ir atrás da mulher?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi adeqüar meu passo ao dos outros, entrar no ritmo da engrenagem e, qual um homem das cavernas, bater com meu tacape na cachola da fêmea e arrastá-la para a caverna, que nos dias de hoje atende pelo nome de conjugado-quarto-e-sala. No cruzamento seguinte, ela atravessou antes do sinal se fechar para os pedestres: eu teria que correr ainda mais se quisesse mesmo a cópula com aquele exemplar da espécie. A luz verde do semáforo acendeu, e como se tivesse ouvido o tiro de largada, saí em disparada. Uma vantagem de 50 metros foi reduzida à metade em menos de 5 minutos. Quando estava a poucos metros de alcançar a mulher, percebi meu cadarço desamarrado. Droga.  Rapidamente voltei à minha corrida. No meio do quarteirão seguinte já estávamos lado a lado. E foi então que caiu a ficha. Eu não tinha a mínima idéia do que falar com ela. Você é a mulher mais linda do mundo e quero arrancar sua roupa agora, me pareceu um pouquinho assustador. Oi, simples assim demais. Você estudou no Promove? –adolescente demais. Tá indo almoçar? – óbvio demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti. E considerei uma coisa: viver é sair por aí, perseguindo sonhos, enfretando sinais vermelhos e cadarços desamarrados, e quando a gente chega perto do nosso objetivo, simplesmente não temos a menor idéia do que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é muito esquisito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-3238898782643138?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/3238898782643138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=3238898782643138&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3238898782643138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3238898782643138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/02/perseguio-implacvel.html' title='Perseguição Implacável'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1216188729910047315</id><published>2008-02-20T06:36:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T06:38:49.591-08:00</updated><title type='text'>Amarelo</title><content type='html'>Amarelo. Quintana disse, o que seria do amarelo se não fosse Van Gogh? Para mim, continuaria sendo o belo e esplêndido amarelo. Cor do Brasil, do submarino dos Beatles, da Brasília dos Mamonas, cor dos pêlos da Marylin Monroe, cor dos Simpsons, da gema que, ao primeiro carinho do garfo, escorre sobre o branco do arroz, cor do girassol. Cor do sol. Principalmente, cor do sol. Who loves the sun?, perguntou o Lou Reed na famosa música. Ora, a pergunta é exatamente ao contrário, quem não ama? O sol que ilumina os planetas, que faz as plantas crescerem, que desencadeia a produção de vitamina D. O sol que, quando falta por muito tempo, torna as pessoas deprimidas. O sol que insiste em não dar as caras nas Finlândias da vida, deixando os finlandeses da vida com uma vontade incontrolável de pular de sétimos andares e temperar seus pastéis de carélia com molho de estricnina. Here comes the sun and George says it’s alright. Não é por nada não, Quintana, mas o que seria de Van Gogh se não fosse o amarelo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1216188729910047315?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1216188729910047315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1216188729910047315&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1216188729910047315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1216188729910047315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/02/amarelo.html' title='Amarelo'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-6673756809470487728</id><published>2008-02-20T06:17:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T06:18:51.495-08:00</updated><title type='text'>Trabalhar Mata</title><content type='html'>Uma abelha-rainha vive cerca de 7 anos, enquanto uma abelha operária chega no máximo a 45 dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-6673756809470487728?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/6673756809470487728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=6673756809470487728&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6673756809470487728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6673756809470487728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/02/trabalhar-mata.html' title='Trabalhar Mata'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1832235581481025431</id><published>2008-02-11T10:58:00.000-08:00</published><updated>2008-02-12T04:21:05.816-08:00</updated><title type='text'>Lá e Antes</title><content type='html'>O avião sairia às 2 da manhã. Havia comprado a passagem por uma pechincha. Sair naquele horário era o preço que se pagava por uma passagem tão barata. No final, pensou ele, o desconto não valia o desconforto. Chegou no aeroporto antes das dez. Sabia que a noite seria longa, entendiante. Pensou que se realmente existissem aqueles segundos que precedem a morte, quando passa um filme de toda a sua vida, com certeza estas horas não estariam nem no bônus do DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma noite de chuva fina, dessas que passam a incômoda impessão de que vai ficar em nossa companhia por 100 anos. "Chovia uma triste chuva de resignação". O verso do Manuel Bandeira era perfeito para a ocasião. Sentou na lanchonete, menos por fome que para gastar o tempo. Na mesa ao lado, uma mulher – Joana?-, solitária como ele, cantarolava "O melhor lugar do mundo é aqui, e agora". Pensou que o Gilberto Gil poderia ter composto esta música em qualquer lugar e em qualquer tempo, menos num aeroporto enquanto esperava o vôo. Quantos lugares gostaria de estar, quantas coisas gostaria de estar fazendo. Almoçando no Mercado Central, jogando pôquer com os amigos, vendo Friends sozinho, em casa, numa noite fria, tomando chocolate quente com aquela namoradinha que tivera alguns anos antes. "Quando ser leve ou pesado deixa de fazer sentido", cantarolou Joana, puxando ele das nuvens. Depois deu uma volta pelo aeroporto, procurando alguma coisa para ocupar seu agora. Aqui só tem merda – deixou escapar. Mãe, ele falou palavrão. Xinga ele, mãe. Põe ele de castigo, virado pra parede, mãe. Ele falou palavrão, falou sim. Quieto menino, não atrapalha o moço. Você me desculpa, menino, você sabe como é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia. Crianças, não coube de ter. Estes dois chamam Nádia e Duduzinho – imaginou. Afastou-se deles e foi ver os aviões decolando e pousando. Lembrou mais uma vez de Bandeira: "Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir." Não era manhã e nunca conseguiu aprender a lição. Detestava despedidas. Não aceitava que pessoas partissem, que não fizessem parte de sua vida para sempre. Se não pudesse ter o pote de sorvete inteiro, recusava uma colherada apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem – Fernando, aposto que chama Fernando – chegou ao seu lado e tentou puxar papo. A namorada estava chegando, depois de 5 meses de intercâmbio em Londres. Eles conversavam todo dia pelo Skype, mas a saudade não matava nunca. Que bla bla bla sem fim, eu que vou me matar se continuar aqui. Tinha pouca paciência com pessoas clichê, mesmo tendo consciência de ser uma amostra típica da espécie. Talvez fosse isso; de óbvio e normal, já bastava ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na livraria, a atendente – Natália? Gabriela? Laila? – veio em sua direção com mais sorrisos que um palhaço faria em todo um espetáculo circense. Ah, a solicitude natural do capitalismo! (Abre parênteses: a falta de cordialidade dos garçons/atendentes do Rio de Janeiro seria uma espécie de protesto permanente contra as agruras do capitalismo? Fecha parênteses) Não obrigado, estou só olhando. Procurou sem êxito o nome da garota no crachá. Decidiu-se por Laila. Parou na sessão de DVD. As 3 temporadas de House seriam um ótimo passatempo, mas não para aquele momento. Lembrou-se do episódio em que o Dr. House explica que para o cérebro, mentir é criar, sendo um exercício muito maior do que falar a verdade. Por que diabos aquilo veio à sua cachola? A atendente era insistente e, com certeza, comissionada. Perguntou se ele estava indo ou esperando alguém. Moça inteligente, sabia que ele não estava chegando. Ninguém ficaria perambulando pelo aeroporto depois de uma viagem de avião. Ninguém em sã consciência. Estou indo encontrar um amigo. Onde ele mora? Ele mora no Japão, agora deve estar almoçando. Nossa, ele mora amanhã. Riu muito do senso de espírito dela, contudo, entretanto, todavia, sabia que toda aquela simpatia era movida pela comissão. Consentiu com aquele jogo e comprou um livro que estava por perto, de fotografias de animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi matando o tempo. Deu outra volta pelo aeroporto, sentou na lanchonete para folhear o livro. Joana continuava a cantarolar a mesma música. Deveria ser aquelas pessoas como ele, você e todo mundo, que quando cisma com uma música, a ouve até a exaustão. "Morrer deve ser tão frio quanto na hora do parto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que havia comprado aquele livro, se detestava animais? Folheou bem devagarzinho cada página, tentando redimir uma culpa meio esquisita por ser um dos poucos a não achar nada daquilo fofo. Dispensou atenção especial à girafa. Bicho engraçado, com uma long neck no corpo e vestindo o uniforme do Criciúma. Deu de dar nome também àqueles animais: Rex, Edileusa, Mimosa, Astrogildo, Apoenan, Saint Clair… E entreteu tanto com aquilo que, mesmo com os insistentes avisos pelo sistema de som do aeroporto, perdeu o vôo. O vôo que, na verdade, o levaria para encontrar sua noiva em Vegas, onde casariam escondidos de todos. Casariam, porque ninguém é bobo a ponto de acreditar que um ser humano perde o vôo folheando um livro de animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no fim das contas, não é que aquelas horas inofensivas acabaram ganhando um espaço e tanto no filme da vida dele?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1832235581481025431?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1832235581481025431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1832235581481025431&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1832235581481025431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1832235581481025431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2008/02/l-e-antes.html' title='Lá e Antes'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-7469206764335618718</id><published>2007-12-27T05:59:00.000-08:00</published><updated>2007-12-27T06:00:43.503-08:00</updated><title type='text'>Carta a Papai Noel</title><content type='html'>Caro Papai Noel,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como está as férias? Ou seria, como estão as férias? (Este é o problema de uma palavra que está sempre no plural: você sempre fica na dúvida.) Eu estou escrevendo este post para você, porque eu sei que o Senhor não teve tempo para ler este blog nos últimos tempos. Muitas cartas para ler, muitas entregar para fazer. Fora os percalços que enfrentou no Brasil: tiros, multas de trânsito, acidentes. Deu na imprensa. Não me esqueço também do calor. Mas não fique triste, perder peso durante o Natal é um privilégio exclusivo seu. Quem sabe se existissem mais natais durante o ano, você melhorasse esta forma. Aproveite suas merecidas férias para ler os posts antigos. Tem uns poucos bem legais. Ah, e quando encher o saco, leia também estes links que eu indico aqui ao lado. Tem muita coisa muito boa. Este blog também vai tirar umas férias. Na terceira semana de janeiro ele volta. Qualquer coisa, me escreva. Uma pessoa que lê tantas cartas, deve sentir falta de escrever uma. Capricha na letra e manda brasa. Aguardo notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-7469206764335618718?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/7469206764335618718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=7469206764335618718&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7469206764335618718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7469206764335618718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/12/carta-papai-noel.html' title='Carta a Papai Noel'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-7938688902926563669</id><published>2007-12-18T15:08:00.000-08:00</published><updated>2008-02-12T04:22:12.511-08:00</updated><title type='text'>Perspectiva em Beleza</title><content type='html'>Andar de carro por uma grande cidade vem se tornando uma experiência cada vez mais sofrida. Congestionamentos, assaltos nos sinais/semáforos/faróis, flanelinhas especialistas na arte da extorsão… Enfim, atualmente há de se considerar os bônus e ônus de se ter um carro. Mas, outro mal que aflige os motoristas são as propagandas nas ruas. Não, não falo dos outdoors. Sim, falo dos panfletos/folders/filipetas/volantes/flyers que são distribuídos nos sinóforos/semóis/fanais. Você está dirigindo com a janela aberta, porque seu carro não tem ar-condicionado e o globo cada vez mais aquecido, quando a luz vermelha surge. Vem o sujeito com uma pilha de papéis na mão. Você até pensa em recusar. Pensa no sofrimento do sujeito, trabalhando sob o sol inclemente. Pensa que quanto mais as pessoas recusarem, mais tempo o sujeito vai ter que se submeter a tal infortúnio. Você resolve aceitar, mesmo que isto implique transformar seu carro em uma lixeira ambulante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de ser privilégio dos motorizados, este mal também aflige os pedestres. Tarólogos/cartomantes/videntes-e-afins prometendo trazer a pessoa amada, bancos/financeiras/agiotas-e-afins prometendo sanar dívidas e algumas outras coisas fazendo promessas que sabem que não vão cumprir. (Me lembrei agora do Mestre Splinter: "promessas são como vasos de barro; fáceis de fazer, fáceis de quebrar".) Além de ter que se preocupar com os carros/motos/ônibus, assaltantes/camelôs/velhinhas-do-bilhete-premiado, os transeuntes também têm que evitar os entregadores de panflers/foldetas/filipantes/volyers/flyetos. Eu mesmo faço de tudo para não passar o constrangimento de dizer não a um trabalhador que sua muito mais que eu. Atravesso a rua, finjo autismo, olho pra baixo para não ver a cara do sujeito… Mas hoje, por exemplo, não deu. Andava meio desligado e nem vi a moça surgir do nada e me entregar o cartão. E e aí que chegamos ao título deste texto. Mas aí já merece um novo parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi ontem (era pra escrever "hoje", mas enrolei pra acabar o texto) um cartão divulgando Moniele Fraga, Perspectiva em Beleza. Eu entendo um pouco de propaganda e um tiquinho de nada de comportamento humano, mas não consigo entender que diabos é perspectiva em beleza. Hipótese número 1: Uma psicológa que ajuda descendentes do demo a não se achararem tão feios. Hummmmm, acho que não. Hipótese número 2: Era para ser Beleza em perspectiva, uma palestra que discutia os valores estéticos vigentes na pós-modernidade e blá-blá-blá. Pouco provável. Hipótese número 3: aula introdutória de artes plásticas, ensinando as regras básicas para desenhos. Não, não, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansado de hipóteses, resolvi ir até o malfadado lugar. E num que a Moniele Fraga nada mais era que uma cabeleireira. Mas, segundo ela, não se trata de mais um salão. Me desculpem não relatar qual a diferença, mas nesta hora parei de prestar atenção. Oh, gente. É tão difícil enxergar que  25 edicleusas não têm a "perspectiva em beleza" de uma maria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-7938688902926563669?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/7938688902926563669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=7938688902926563669&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7938688902926563669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7938688902926563669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/12/perspectiva-em-beleza.html' title='Perspectiva em Beleza'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4684742653776844244</id><published>2007-12-11T13:51:00.000-08:00</published><updated>2007-12-11T13:52:02.953-08:00</updated><title type='text'>3 atos desesperados ou Desespero em 3 atos ou Trilogia dos atos ou…</title><content type='html'>Apresentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele. Sapato nos dias úteis. Chinelos no fim de semana. Campari ocasionalmente. Caipirinha diariamente. Cara limpa, fazia a barba duas vezes ao dia. Cara de pau, cantava toda mulher que visse. Nunca concordou com que cinema fosse a sétima arte. Para ele, era a primeira. Era um spielbergmaníaco de carteirinha. Era, provavelmente, a única pessoa no mundo a ter gostado de A Guerra dos Mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela. Muitas idéias na cabeça, o mundo ao alcance das mãos e samba no pé. Erik Satie para relaxar, Miles Davis para jantares em grupo, Frank Sinatra para jantares em pares. Para feijoada, Cartola e Zeca Pagodinho. Os dias ensolarados são na companhia de Beach Boys, Bob Marley, Sublime e os afro-sambas de Vinícius e Baden. Em dias chuvosos, Radiohead intercalado com Cat Power.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolvimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles. Estavam casados há tempo suficiente para se destestarem: 3 meses. Não se matavam simplesmente por que um não queria dar ao outro o prazer de assistir, nem que fosse do inferno, à sua prisão. Se bem que até uma penitenciária brasileira deveria ser melhor do que aquela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele. Não suportava mais aquelas músicas, o tempo todo músicas, para cada ocasião uma música diferente, músicas para dormir, músicas para acordar, para o último raio do sol da primavera, música para tomar banho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela. O que se pode esperar de um homem que chora vendo ET? Que outra pessoa no mundo sente tesão vendo Parque dos Dinossauros? Fora os posters de Tubarão no banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles. Foram infelizes enquanto puderam. Ou seja, foram casados até a morte. Que se deu num acidente de carro, quando ambos já eram nonagenários. Ora, por que pessoas que se odiaram tanto nunca se separaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4684742653776844244?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4684742653776844244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4684742653776844244&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4684742653776844244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4684742653776844244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/12/3-atos-desesperados-ou-desespero-em-3.html' title='3 atos desesperados ou Desespero em 3 atos ou Trilogia dos atos ou…'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1986302719959747891</id><published>2007-11-26T06:27:00.000-08:00</published><updated>2007-11-26T06:31:31.427-08:00</updated><title type='text'>Maldito</title><content type='html'>Em propaganda existe um conceito assaz comum chamado plágio retroativo. Significa você ter a idéia para um anúncio ou comercial, mas, por reprovação do cliente, falta de verba ou qualquer uma das outras catástrofes que desabam sobre o dia-a-dia de um publicitário, não chegar a ser veiculado. E, tempos depois, você vê a mesma idéia em um anúncio do concorrente. Em resumo, uma outra pessoa teve o mesmo raciocínio, conseguiu veicular e você, por não a ter publicado, perde a "paternidade" da  idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que isto aconteceu comigo. Não em publicidade, mas numa, digamos, filosofia de vida. Comprei recentemente as 100 melhores crônicas brasileiras. Como toda pessoa normal, comecei a ler o livro de trás para frente. Uma das primeiras crônicas, ou últimas – como preferir, é do Carlos Heitor Cony e chama Da Arte de Falar Mal. É simples e inusitada, como uma boa crônica deve ser. Só que eu me senti roubado. Durante anos defendi a salutar prática de falar mal de outras pessoas. Principalmente dos amigos. E até incentivava que falassem mal de mim, desde que respeitada uma máxima que criei: "podem falar mal de mim, mas tenham a dignidade de esperar eu virar as costas". Ninguém gosta de ver seus defeitos arremessados na cara. Afinal, por ser a pessoa que passa mais tempo ao lado de você mesmo, você já os conhece de cor. Só um masoquista gostaria de passar por uma constrangedora sessão de amigos a falarem mal dele próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o plágio retroativo chega a tal ponto, que o Cony defende, em seu texto, a mesma teoria de só maldizer os ausentes. Não pretendo aqui defenestrar o renomado escritor. E não é por respeito a esta máxima, já que é improvável que ele venha a ler este blog. Me senti um pouco furtado, mas no fundo até achei bom. Percebi que eu não sou o único que considera o maldizer uma virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra regra que acho importante ser seguida é evitar falar mal de pessoas que rendem muito assunto. Quando era mais novo, tinha um amigo na turma que sempre se envolvia em problemas financeiros. Pedia emprestado grana para um, quando alguém cobrava prometia pagar na semana seguinte e nunca mais tocava no assunto, comprava roupas no crediário dos amigos… Toda vez que a turma se sentava no bar para falar mal de alguém, eu advertia: tudo bem, mas não falemos mal do, digamos, Juruna, senão vamos ficar aqui até amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais me deixou indignado com o texto do Cony é que eu vi que ele dissecou o assunto com uma habilidade que eu jamais conseguiria alcançar. Maldito. E por causa dele, um texto que seria apenas sobre a arte de falar mal, termina com um elogio. Maldito.  E com uma dica: leiam o texto dele, é brilhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1986302719959747891?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1986302719959747891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1986302719959747891&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1986302719959747891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1986302719959747891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/11/maldito.html' title='Maldito'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4743019848007913999</id><published>2007-11-14T04:22:00.000-08:00</published><updated>2007-11-26T06:33:19.072-08:00</updated><title type='text'>Que Quizila</title><content type='html'>O homem chegou à clínica com alguns minutos de antecedência. Era sua primeira consulta. Na recepção, a recepcionista recepcionava com um florido e inexplicável vestido decotado.&lt;br /&gt;- Seu nome, por favor?&lt;br /&gt;- Só se você disser o seu primeiro.&lt;br /&gt;- Olha aqui, Senhor. Eu sou casada e não aceito este tipo de petulância.&lt;br /&gt;- Não, minha querida. Não é isto que você está pensando. Que dizer, eu te acho atraente, ainda mais com um decote tão insinuante.&lt;br /&gt;- Óóóó – repreendeu a donzela.&lt;br /&gt;- O que interessa é que eu não digo meu nome assim.&lt;br /&gt;- Assim como? Isto é uma consulta. Eu preciso dos seus dados para preencher o cadastro.&lt;br /&gt;- Eu sei que você precisa. Precisa para abrir uma carta de crédito em meu nome e me endividar até a tampa da testa. Com todo o respeito à pessoa-belo-físico da senhora, mas eu não caio nessa.  &lt;div&gt;- Cair em qual? O Senhor não está me entendendo. Sem os dados, não tem como  confirmar se a consulta é para você mesmo.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Minha querida. Eu tenho cara de trouxa, jeito de trouxa, mas não sou trouxa. Eu acesso jornal, leio TV, vejo a internet... Pra cima de mim com este golpe antigo? E o bilhete premiado, não vai querer me vender não?&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Meu Senhor, são os procedimentos de praxe. Sem o seu nome, não há consulta.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Claro. Eu sei bem que tipo de consulta é esta. Consulta ao meu cartão de crédito, consulta aos meus fundos de investimento. Enxergo um estelionatário de longe. Este vestido, estes seios, eu sei; tudo foi estrategicamente pensado para aplicar o golpe.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Eu vou chamar o médico.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Isso mesmo. Chama o seu comparsa. Em breve deve surgir uma velhinha dizendo que precisa trocar o bilhete para comprar remédio ou vou receber uma ligação falando que meu filho foi seqüestrado... Nessa escola que você aprendeu, eu tenho PH. &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- PHD.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Sabia. A velha tática de me corrigir, mostrar superioridade, tentar conquistar minha confiança. &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;Enfim, a paciência de escravos de Jó da recepcionista acabou. Chamou o médico, mais capacitado para resolver este tipo de furdunço. Quando tentou assuntar o que havia, foi que o paciente se desesperou de verdade. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;- Não encosta em mim, não me olha. Salafrário. \u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;- Fique calmo, amigo. Ninguém aqui quer se aproveitar de você. Ninguém quer viajar para a Ilha de Páscoa com o dinheiro da sua poupança. Ninguém vai te extorquir - se bem que o preço da consulta era uma extorsão e tanto, pensou o médico. Aliás, sua mãe marcou esta consulta exatamente para cuidar dessas suas neuroses.\u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;- Meu amigo, não é porque eu sou neurótico que não quer dizer que eles estejam atrás de mim.\n Eles não, vocês. Vão pegar outro otário, porque esse aqui ta vacinado.\u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;Virou as costas e deu no pé. \u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;- Que quizila, disse a secretária. Bem, doutor. Este horário está vago ago...\u003c/div\&gt;  \u003cdiv\&gt;E lá se foi o psicólogo se enveredar pela ginecologia. \u003cspan\&gt; \u003c/span\&gt;\u003c/div\&gt;",1] ); D(["mb","\u003cspan class\u003dad\&gt;  \u003cp\&gt; \n\n\n      \u003chr size\u003d\"1\"\&gt;Abra sua conta no \u003ca href\u003d\"http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.mail.yahoo.com/\" target\u003d\"_blank\" onclick\u003d\"return top.js.OpenExtLink(window,event,this)\"\&gt;Yahoo! Mail\u003c/a\&gt;, o único sem limite de espaço para armazenamento! \n\u003c/p\&gt;\u003c/span\&gt;",0] ); D(["ce"]);  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Não encosta em mim, não me olha. Salafrário. &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Fique calmo, amigo. Ninguém aqui quer se aproveitar de você. Ninguém quer viajar para a Ilha de Páscoa com o dinheiro da sua poupança. Ninguém vai te extorquir - se bem que o preço da consulta era uma extorsão e tanto, pensou o médico. Aliás, sua mãe marcou esta consulta exatamente para cuidar dessas suas neuroses.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Meu amigo, não é porque eu sou paranóico que não quer dizer que eles estejam atrás de mim.  Eles não, vocês. Vão pegar outro otário, porque esse aqui ta vacinado.&lt;/div&gt;  &lt;div&gt;Virou as costas e deu no pé. &lt;/div&gt;  &lt;div&gt;- Que quizila, disse a secretária. Bem, doutor. Este horário está vago ago...&lt;/div&gt;  E lá se foi o psicólogo se enveredar pela ginecologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4743019848007913999?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4743019848007913999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4743019848007913999&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4743019848007913999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4743019848007913999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/11/que-quizila.html' title='Que Quizila'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5651242614110985775</id><published>2007-11-04T14:19:00.000-08:00</published><updated>2007-11-05T03:26:31.469-08:00</updated><title type='text'>Parceiros</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Parceiro, onde que eu tô?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Você ta no céu, baixinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- No céu? Sempre pensei que não viria pra cá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Não ia vir mesmo. Mas uma coisa mudou a cabeça Dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Sério, peixe? A minha campanha pelos molequinhos com Down sensibilizou Ele?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Que nada. O Chefe babou foi no gol que você marcou contra o Corinthians. Deu um elástico maravilhoso no Amaral e, sem ângulo, encobriu o Dida. Divino. Mas me acompanha. Querem falar com você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Já to vendo, rolou treta por eu ter dito que Ele apontou o dedo e dito "este é o cara". Eu posso explicar tudo, parceiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Me segue, disse o anjo. (afinal, não é porque eles estão no céu que usam ênclise)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;Depois de algumas nuvens de caminhada, o anjo parou perto de um velho, bastante calvo, mas ainda com alguns longos cabelos brancos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Sempre quis te conhecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Peixe, que honra. Também sempre quis te conhecer, Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;- Romário, eu sou Vinícius de Moraes, o poeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Desculpa, parceiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Sem problema. Você foi da pesada. Dos que eu acompanhei daqui de cima, foi o melhor. Qual o segredo dentro da área?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Ando onde há espaço - sem saber que citava o autor para ele próprio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Baixinho, nós somos mais parecidos do que você imagina. Não são só as mulheres e os muitos casamentos que nos unem. Também as palavras. Suas frases são geniais, parceirinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Que honra receber um elogio desses de Vinicius de Moraes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- E fica tranqüilo, que eu também nunca fui exemplo pra ninguém. Só não entendo bem porque você não bebia, mas tudo bem. Você tirava sarro de outras formas. Só tem uma coisa que é imperdoável, baixinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Vasco, Flamengo e Fluminense sim. Botafogo não. Francamente. A vida é a arte do encontro, mas você e o meu Botafogo foram só desencontro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Nunca tive chance de jogar lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Não disse que a culpa foi sua. Mas o Sr. Sabe lá o que é torcer pelo Botafogo? O sofrimento? O tormento? Romário, ainda ta em tempo de consertar isso. O Mané ta organizando um jogo e todos concordaram em você ser o centroavante. Topa?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E lá foi Romário vestir a camisa 11 alvinegra pela primeira e derradeira vez. Vinícius sentou-se na arquibancada acompanhado de seu melhor amigo: um copo de uísque. Romário desperdiça gols inacreditáveis. No final, pênalti para o Botafogo. O baixinho vai para a bola e... perde. Vinícius resmungou qualquer coisa e teve que ouvir da voz do Criador aquela sentença infernal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Tem coisas que só acontecem ao Botafogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5651242614110985775?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5651242614110985775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5651242614110985775&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5651242614110985775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5651242614110985775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/11/parceiros.html' title='Parceiros'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4627133294410373782</id><published>2007-11-04T14:15:00.000-08:00</published><updated>2007-11-04T14:19:40.203-08:00</updated><title type='text'>O Haver</title><content type='html'>Em homenagem ao Vinicius de Moraes, resolvi publicar aqui um poema dele assaz supimpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;             Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura&lt;br /&gt;            Essa intimidade perfeita com o silêncio&lt;br /&gt;            Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo&lt;br /&gt;            - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo&lt;br /&gt;            Essa mão que tateia antes de ter, esse medo&lt;br /&gt;            De ferir tocando, essa forte mão de homem&lt;br /&gt;            Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta essa imobilidade, essa economia de gestos&lt;br /&gt;            Essa inércia cada vez maior diante do Infinito&lt;br /&gt;            Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível&lt;br /&gt;            Essa irredutível recusa à poesia não vivida.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento&lt;br /&gt;            Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade&lt;br /&gt;            Do tempo, essa lenta decomposição poética&lt;br /&gt;            Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse coração queimando como um círio&lt;br /&gt;            Numa catedral em ruínas, essa tristeza&lt;br /&gt;            Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria&lt;br /&gt;            Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta essa vontade de chorar diante da beleza&lt;br /&gt;            Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido&lt;br /&gt;            Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa&lt;br /&gt;            Piedade de si mesmo e de sua força inútil.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado&lt;br /&gt;            De pequenos absurdos, essa capacidade&lt;br /&gt;            De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil&lt;br /&gt;            E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza&lt;br /&gt;            De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser&lt;br /&gt;            E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa&lt;br /&gt;            Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta essa faculdade incoercível de sonhar&lt;br /&gt;            De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade&lt;br /&gt;            De aceitá-la tal como é, e essa visão&lt;br /&gt;            Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            E desnecessária presciência, e essa memória anterior&lt;br /&gt;            De mundos inexistentes, e esse heroísmo&lt;br /&gt;            Estático, e essa pequenina luz indecifrável&lt;br /&gt;            A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse desejo de sentir-se igual a todos&lt;br /&gt;            De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória&lt;br /&gt;            Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade&lt;br /&gt;            De não querer ser príncipe senão do seu reino.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade&lt;br /&gt;            Pelo momento a vir, quando, apressada&lt;br /&gt;            Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante&lt;br /&gt;            Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto&lt;br /&gt;            Esse eterno levantar-se depois de cada queda&lt;br /&gt;            Essa busca de equilíbrio no fio da navalha&lt;br /&gt;            Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo&lt;br /&gt;            Infantil de ter pequenas coragens.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4627133294410373782?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4627133294410373782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4627133294410373782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4627133294410373782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4627133294410373782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/11/o-haver.html' title='O Haver'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4075302734677721103</id><published>2007-10-30T19:09:00.000-07:00</published><updated>2007-10-31T11:11:57.504-07:00</updated><title type='text'>Ritos de passagem</title><content type='html'>&lt;div&gt;Naquela mesa de boteco os assuntos surgiam e desapareciam com uma velocidade de espantar até o Mestre dos Magos. Já tinham falado de posições sexuais, futebol, religião e a situação do Mianmar. Estavam no momento nostalgia, relembrando a infância e tudo de ruim que tinham passado nesta época. Tudo o que lembravam, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha infância foi uma sucessão de insucessos. Eu reunia a parte ruim de cada um daqueles dois meninos dos Goonies: era gordinho e baixinho como um e asmático como o outro. Era o último a ser escolhido no futebol do recreio, não pegava ninguém no pique-e-pega e não pegava ninguém na brincadeira do pêra-uva-salada mista... Minha redenção foi na adolescência, quando eu li aquele cara que te faz comer mulher pra caralho.&lt;br /&gt;- Freud?&lt;br /&gt;- Não, Marx. Gente, ler "O Capital" é infinitamente melhor para sua vida sexual do que saber o Kama Sutra de cor. Tracei todas as comunistas da faculdade.&lt;br /&gt;- Minha infância também não foi das melhores. Na escola eu apanhava dos meus coleguinhas porque tinha o nome esquisito. Em casa eu apanhava da minha empregada. Mas para superar meus traumas infantis eu também tive que ler muito: as composições nutricionais de todos complementos alimentares que eu tomava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis Fernando continuava quieto. Não queria contar detalhes da sua infância na frente da moça com quem saía pela terceira vez. Não que tivesse algo constrangedor guardado no arquivo morto das lembranças. Nada que fizesse ela, Michele, sair em disparada sem nunca mais querer ver a cara dele. Mas queria esperar para ver o que ela ia falar. Se algum ensinamento a Copa de 94 tinha trazido para o mundo, era o de que o melhor ataque é a defesa. Aguardou como um necrófilo na frente de um hospital. Ela ameaçou abrir a boca, mas o Miltinho, que já estava muito mais pra lá do que pra cá, a interrompeu. Todos teriam que ouvir pela enésima vez sobre as histórias da infância do Miltinho na fazenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ficava sozinho naquela fazenda desgracenta. Meu melhor amigo era um cavalo. Minha primeira namorada foi uma cabrita. Eu devo ter sido o único ser humano a levar um chifre literal e outro metafórico da mesma pessoa. Pessoa não, cabrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Michele aproveitou quando ele tomou ar pra retomar o assunto e contar sobre sua adolescência, quando descobriu que sexo também podia ser feito com mulheres, para introduzir sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu era até meio normalzinha. Tirando o fato de que não tinha amigas e que passava o dia inteiro treinando videogame para ganhar dos meninos do bairro. Até hoje lembro quando ganhei o campeonato de Street Fighter com dois perfects, jogando com o Ken. No segundo round, eu acabei com o jogo com uma simples jogada: mandei um Hadouken e quando o adversário pulou, dei um Shouryuken de fogo. Foi tão marcante que eu prometi nunca mais jogar Street Fighter. Eu nunca mais conseguiria repetir aquele jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta hora, Luis Fernando estava completamente apaixonado pela Michele. Sua infância inteira fora jogando Street Fighter e seu golpe preferido sempre fora o Hadouken seguido de Shouryuken. Não tinha dúvidas, ela era seu console gêmeo. Só não a pediu em casamento ali mesmo porque nenhum noivado que se preze pode ser feito depois dos casos do Miltinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, Michele ligou para sua sogra. Sim, o plano tinha saído como combinado. Sim, ela tinha falado que desde então não jogara mais Street Fighter, não corria o risco dele desmascará-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E continua o treinamento para não botar tudo a perder, Michele. O dia que você ganhar dele no Winning Eleven, o casório tá garantido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4075302734677721103?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4075302734677721103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4075302734677721103&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4075302734677721103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4075302734677721103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/10/ritos-de-passagem.html' title='Ritos de passagem'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-6089798508819012238</id><published>2007-10-24T07:16:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T06:56:32.173-07:00</updated><title type='text'>Destino</title><content type='html'>- Destino?&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Seu destino…&lt;br /&gt;- É o que eu mais quero saber.&lt;br /&gt;- Senhor, para aonde você vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então saiu do torpor e percebeu que o destino a que o homem se referia era bem menos metafórico. Era o simples e real destino do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não sei. O destino final é muito longe?&lt;br /&gt;- É – o trocador já perdia a paciência com tanta imprecisão.&lt;br /&gt;- Então eu vou pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o jornal que comprara pela manhã. Normalmente, não se interessava pelas notícias da mídia. Nem ele mesmo entendeu porque havia comprado. Procurou notícias sobre seu time. Jogador disse viver uma boa fase, técnico confia no grupo, os ingressos para a partida já estão à venda. A mesma balela de sempre. Passou para o caderno policial. Gostava de ver histórias de maridos cornos que defendiam a honra com o jorramento de sangue. E o jornal popular que tinha em mãos era milionário neste tipo de notícias. "Homem mata amante por ciúme do marido", "Mulher é assassinada por plantar bananeira", "Sobrinho dá na tia e depois dá no pé". E por aí ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reservou seus minutos para "Mulher é assassinada por plantar bananeira". Gostava de morbidez. Amava bizarrices. O casal, que sonhava com um rebento, acreditava que se eles fizessem amor em pé, o sêmen escorreria e a mulher não engravidaria. Por isso só transavam deitados. E mais. Para facilitar a gravidez, ela plantava bananeira depois do ato. Aconteceu que o marido chegou em casa depois de 3 dias de viagem e encontrou a mulher plantando bananeira. Não teve dúvidas. A mulher estaria aproveitando sua ausência para tentar embuchar de um Ricardão qualquer. Mais do que a ofensa de se deitar com o outro, o homem se zangara mesmo com a intenção da esposa de ter um filho com outro. Afinal, era uma clara ofensa à sua capacidade de gerar filhos. Três tiros no ventre, pra lavar a honra com sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu como não se deve fazer numa ocasião dessas. Matar a esposa porque ela plantava bananeira. Essa é boa. Tem cada doido no mundo. Foi só quando virou a página que viu sua foto estampada no jornal, ilustrando a matéria "Sobrinho dá na tia e depois dá no pé". Maldita Tia Jennifer. Ela tinha que resistir a trepar com ele? Foi ela que me forçou a a forçá-la, pensou. E ainda tinha que avisar os homens das notícias? Começou a suar de nervosismo quando leu a manchete da mulher plantando bananeira de novo. Desandou a gargalhar. Tem cada doido neste mundo, pensou de novo. E tratou de se livrar do jornal. Uma dó. Ter que jogar fora uma notícia tão engraçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-6089798508819012238?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/6089798508819012238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=6089798508819012238&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6089798508819012238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6089798508819012238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/10/destino.html' title='Destino'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-2826972479681274821</id><published>2007-10-15T15:28:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T11:01:33.619-07:00</updated><title type='text'>Fala Verdade!</title><content type='html'>Com exceção dos políticos, todos consideram a mentira algo condenável. Afinal, quando uma pessoa mente, ela está enganando outra, não é verdade? E enganar outrem não é uma coisa boa de se fazer, principalmente se a pessoa enganada tiver um AR-15 e você não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não é nada legal, por exemplo, usar mentiras para extorsão ou para ganhar uma eleição, embora seja muito usado. Mas será mesmo que um mundo ideal passar por um mundo sem mentiras? Como disse Mário Quintana, "as mentiras são essenciais à humanidade. São talvez tão importantes quanto a busca do prazer e, mais ainda, são ditadas por essa busca". Eu costumo dizer que mentir é escrever ficção com a boca. Pense como seria chato viver em um mundo sem as grandes obras de ficção, como os livros do Gabriel García Marquez, as peças de Nelson Rodrigues e os documentários do Michael Moore. "Falar sempre a verdade não é prova de sinceridade, e sim falta de criatividade", escreveu Manoel de Barros. Prova disso é que as histórias atuais são quase sempre releituras ou "colagens" de histórias já escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para acabar com este problema, estão pensando em criar um movimento pela mentira, chamado Menti. Funciona como um Cansei, mas com menos hipocrisia. A intenção principal do movimento é fazer com que os pais parem de censurar as mentiras das crianças. Afinal, eles são o futuro do planeta. E só eles podem impedir que chavões como este perpetuem pelo resto da eternidade. Entendo que certos pais tenham receio de que isto possa ter causas negativas sobre os catarrentos. Mas eles devem se lembrar sempre dos ensinamentos do mestre Homer Simpson: "a mentira é uma verdade que se esquece de acontecer". Estão até pensando em fazer campanhas publicitárias, com frases de (pouco) efeito como "coragem para dizer mentira", "jura dizer a mentira, nada mais que a mentira", etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo da beleza da mentira é o futebol. Um drible nada mais é que uma mentira contada pelas pernas. O jogador faz o adversário acreditar que ele vai para um lado e vai para outro. E agora que você já está convencido a mentir para todo mundo, aqui vai uma dica do Marcel Proust. "Quanto maior a mentira, maior a chance de todos acreditarem nela".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, todo este trololó foi para contar que semana passada não teve texto porque meu tamagotchi Rex comeu meu arquivo de Word e não tive tempo para reescrever. E se a gente se lembrar de Hitler, que dizia que "noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira", esta história vai estar na parte maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Ah, quase me esqueci. Pode confiar que eu verifiquei as fontes de todas as citações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-2826972479681274821?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/2826972479681274821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=2826972479681274821&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2826972479681274821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2826972479681274821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/10/fala-verdade.html' title='Fala Verdade!'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-8556611775940008285</id><published>2007-10-01T05:33:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T05:35:47.522-07:00</updated><title type='text'>Tempos Modernos (para continuar na onda “título com nome de música dos anos 80”)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;No embate entre o que a modernidade nos trouxe de bom e o que ela nos tirou, sempre haverá argumentos para os dois lados. Bem, vale identificar os dois grupos que duelam nesta eterna batalha. De um lado da trincheira estão os românticos, que preferem acreditar que antigamente que era bom, quando as crianças morriam de poliomielite e mulheres não tinham direito nem a falar (por este ponto de vista, até que era uma época boa mesmo). &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Do outro lado estão os que não conseguem imaginar como se pode viver sem&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;celular, internet, iPod e vibrador de 3 velocidades. Enfim, é um confronto igual a palestinos e judeus; enquanto houver vida na Terra, ele vai existir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas a modernidade tenta ser inclusiva, trazendo manuais de instruções para todas suas inovações. Bem, quanto ao vibrador de 3 velocidades, eu estou presumindo. Acho que os interessados no assunto já devem saber muito bem como operar um. Digressões a parte, alguns adventos da modernidade ainda são bem confusos. Os pais solteiros, por exemplo. Quer figura mais deslocada no cenário atual? Desde que existe o divórcio, depois da separação os filhos sempre ficaram com a mãe. Mas agora não, muitos filhos preferem (ou alguém prefere por eles) morar com o pai. E este, coitado, não tem a mínima idéia de como se comportar. Reunião de pais e mestres, na verdade deveria se chamar reunião de mães e mestres. Para um pai, não há nada pior do que este tipo de compromisso social. Mulheres têm uma extraordinária capacidade de estabelecer conversa com outras mães. Talvez seja a novela, não sei. Pais encaram uma reunião desta estirpe, apenas como uma tortura que a democracia esqueceu-se de extinguir. Ele agüenta 3 horas de reunião improdutiva, ouve as reclamações sobre seu filho e diz que vai tomar uma providência. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Logo em seguida passa num bar, toma uma cerveja e quando chega em casa para recriminar o pimpolho, o pega puxando fumo no banheiro e decide tomar a única atitude sensata para este caso; voltar para o bar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outro exemplo de produto mal acabado da modernidade são os adolescentes de 30 anos. Antigamente, se o sujeito passasse dos 25 sem se casar, já era taxado de homossexual. Hoje, se o cara se casa antes dos 25 é taxado de louco, insano e qualquer outro adjetivo que signifique a mesma coisa. Para as mulheres, o problema é o mesmo. Antes, tinham que se casar o mais rápido para não ficar pra titia. Hoje, se arrumam um marido rápido, parecem desesperadas, carentes e antifeministas. Não é de espantar que o resultado desta equação não seja nada convencional. Pessoas com idade para ser avós se comportando como adolescentes. Usando roupas da moda, agindo com imaturidade, falando gírias infames, freqüentando boates que nem os jovens &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;agüentam mais (afinal, outra característica destas pessoas é sempre tentar acompanhar as novidades, mas sem nunca conseguir). De qualquer forma, é deprimente. Todos sabem que adolescência é a idade para ser ridículo. E nada é mais ridículo do que tentar se parecer com alguém ridículo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, se todos os produtos da modernidade fossem tão bem resolvidos quanto um iPod. Acho que a única salvação é o Steve Jobs escrever livros de comportamento para estas pessoas. Pensando bem, o Steve Jobs nada mais é do que um adolescente de 40 anos que deu certo. Melhor não.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-8556611775940008285?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/8556611775940008285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=8556611775940008285&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8556611775940008285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8556611775940008285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/10/tempos-modernos-para-continuar-na-onda.html' title='Tempos Modernos (para continuar na onda “título com nome de música dos anos 80”)'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-3228778864843896351</id><published>2007-09-18T13:57:00.000-07:00</published><updated>2007-09-18T14:01:05.367-07:00</updated><title type='text'>Meninos e meninas (título com o claro propósito de atrair fãs do Renato Russo, do Michael Jackson e padres)</title><content type='html'>A menininha ficou aos cuidados da avó naquele sábado chuvoso. Os pais, que desde o nascimento da pimpolha não tinham tempo para nada, se deram um sábado de férias e foram namorar naquele lugar que todo o mundo sabe o nome. A avó, então, resolveu distrair a netinha com uma fórmula infalível e high tech. Deu algumas folhas de papel e canetinhas coloridas para ela. Por sua experiência, sabia que a partir dali tudo ficaria por conta da imaginação da catarrenta. Porém, nunca se deve subestimar a criativadade de uma criança. A menininha desenhou um círculo e, feliz da vida, mostrou para avó.&lt;br /&gt;- Olha o patinho que eu desenhei.&lt;br /&gt;- Mas um patinho não é assim.&lt;br /&gt;E lá foi a Senhora da melhor idade (terceira idade é politicamente incorreto, assim como velho, múmia, dinossauro ou "da geração da Dercy Gonçalves") desenhar um pato, da forma como todos imaginam que deve ser um pato.&lt;br /&gt;Nem acabou de desenhar o animal e a netinha já saiu com esta máxima que realmente faz jus ao nome.&lt;br /&gt;- Não, vó. É que o pato ainda tá dentro do ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clap, clap, clap.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o menino estava na casa da mãe, na boa, tentando mais uma vez trocar a sua cota de jiló por uma dose extra de sorvete, quando começou a enésima discussão sobre o mesmo assunto: o menino deveria morar com a mãe ou com o pai. Avó dá palpite, avô dá palpite, prima dá palpite… Só o frango assado que descansava no centro da mesa e o próprio menino não palpitavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino estava em dúvida entre ter atenção e ser obrigado a comer verdura ou ficar o dia todo largado em casa e poder bater o recorde de horas assistindo TV. Mas o que ele não queria mais era ficar alheio à discussão. Tentou falar uma vez, ninguém o ouviu. Insistiu em falar e eles insistiram em o ignorar. Numa fúria, gritou com aquele som agudo que só as crianças conseguem alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Buceta, alguém vai me deixar falar? Que caralho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que isso, menino. Onde você aprendeu a falar essas coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem problema não, tia. É inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clap, clap, clap.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado em histórias reais. No entanto, eu as deturpei ao meu bel-prazer. Deturpei, seu pervertido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-3228778864843896351?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/3228778864843896351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=3228778864843896351&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3228778864843896351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3228778864843896351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/09/meninos-e-meninas-ttulo-com-o-claro.html' title='Meninos e meninas (título com o claro propósito de atrair fãs do Renato Russo, do Michael Jackson e padres)'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-3351287868879905755</id><published>2007-09-11T11:58:00.000-07:00</published><updated>2007-09-11T12:03:52.563-07:00</updated><title type='text'>Shine On You Crazy Diamond</title><content type='html'>Era um sujeito de muitos amigos. Era sociável, bem humorado, inteligente… Tentava se despir de preconceitos, por isso circulava pelos vários círculos sociais, desde cults e emos a micareteiros e cowboys. Não se pode dizer que não tinha inimigos. Ora, inimigos todo têm, se bobear até o Bush tem alguns. Mas um, especialmente, o incomodava; seu pensamento. Para não repetir muitas vezes "pensamento", vamos chamá-lo Freud. Por vezes, ele parecia ser amigo, dava conselhos. Aí que estava o perigo, já que o inimigo aproveitava de sua inconstância para colocar sua mente em curto-circuito. Freud o incitava a fazer coisas. Certa vez fugiu de casa sem deixar nem um rastro. Não deu sinal de fumaça por uma lua. Fugiu de todos como um hippie foge do banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltou, tinha sido dado como falecido. Os parentes estavam de luto, tinham certeza absoluta de que tinha sido assassinado. Era uma daquelas pessoas que transam drogas abertamente, o que assustava à toda a pequena sociedade de Ouro Preto. Mas era um medo injustificado. Não fazia o tipo viciadão. Fumava maconha diariamente, exatamente por ser uma droga barata. A mãe passou 6 meses indo à todas igrejas da cidade, diariamente. Passava mais de 4 horas por dia agradecendo a Ele por ter trazido seu filho para casa. Mas Ele não era nada perto do Freud. Este sim era onipresente. O perturbava em casa, nas festas, nos bares, no trabalho. Certa vez, seu algoz conseguira o separar de sua namorada. Falou coisas que só não podem ser chamadas de intrigas porque eram verdade. Você está com ela por comodidade. Você é carente e usa ela por medo de não ter ninguém para o acompanhar nos bizarros banhos de lama no domingo de manhã. Tanto fez que conseguiu. Separou os dois. Era um adversário instável, sumia e aparecia como o Mestre dos Magos. Nunca entendeu esta perseguição. Freud era um psicopata, um sádico. Fazia torturas psicológicas. Esfregava seu egoísmo na cara, mostrava como ele usava a prepotência para disfarçar sua fragilidade emocional. Insultava-o da maneira mais desgraçada que existe: falando a verdade. Ele sabia que era tudo aquilo que Freud fazia questão de propagar. Isto é que o martirizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num processo lento como os que correm na justiça, foi endoidando. Seu primeiro passo foi parar de se interessar por namoradas. Nenhuma o merecia. Era um traste, sua vida já era muito fudida, para que fuder mais uma? Depois o tirou do convívio social. Os amigos, que eram muitos, não o viam mais. Não atendia ao telefone. Foi se escondendo dentro de casa. Aos poucos, dentro de si mesmo. Enfurnou no seu cárcere pessoal, sem direito a habeas mens. Lembrou dos comentaristas esportivos em época de Copa do Mundo que sempre dizem que o maior adversário para a Seleção Brasileira é a própria Seleção Brasileira. Considerou que para uma pessoa, nenhum adversário pode ser pior do que sua própria cabeça. Se conseguisse enfretar sua mente, ninguém mais poderia o derrubar. Mas achou a frase tão piegas, mas tão piegas, que concluiu que só um idiota poderia pensar algo tão "título de auto-ajuda". Nem de morrer se considerava digno. Era um ser que morava no subúrbio de si mesmo. Não tinha salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está esperando o fim desta história? Pois saiba que não tem. Uma história cretina como esta não é digna de um fim reflexivo e muito menos de um fim engraçadinho. Já está de bom tamanho este ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-3351287868879905755?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/3351287868879905755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=3351287868879905755&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3351287868879905755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3351287868879905755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/09/shine-on-you-crazy-diamond.html' title='Shine On You Crazy Diamond'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-2190250601376714685</id><published>2007-09-04T13:18:00.000-07:00</published><updated>2007-09-11T13:20:44.068-07:00</updated><title type='text'>De morrer</title><content type='html'>São infinitas as maneiras de se encontrar com o "único mal irremediável", como diz o Chicó. Engasgado com uma rúcula, dando de comer aos tubarões ou através da velha e boa cirrose. Quem assistiu a Magnólia deve se lembrar de outras formas estúpidas de acordar com a boca cheia de formiga. No final das contas, acho que toda morte é estúpida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem li na internet sobre uma morte que me impressionou demais. É até difícil de acreditar. Parece piada. Talvez seja. Mas o site em que eu li parece confiável. Vamos aos fatos. Uma médica italiana de 46 anos morreu. Até aí, tudo bem. Não é porque uma pessoa é médica que ela está imune às intempéries da vida e da morte. (Apesar de um amigo meu jurar que médicas nunca têm AIDS.) A referida médica morreu do coração. Continua tudo bem. Agora, as coincidências. A especialidade dela era cardiologia. Não bastasse isso, ela sofreu a parada cardíaca durante um congresso de cardiologistas, na Europa. Foi socorrida pelos colegas, mas mal chegou ao hospital e já trocou o jaleco pelo paletó de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, esta é o tipo de morte inadmissível. Um congresso de cardiologistas na Europa, talvez seja um dos melhores lugares para se ter uma parada cardíaca. É como desviar dinheiro público no Brasil, você já está no lugar certo. Tem como o destino (ou Deus, como preferem os de pouca imaginação) ser mais gozador? Fico pensando na sensação da médica, aos primeiros sintomas. Junto com a dor que sentia no peito, vinha o alento de saber que estava ao lado dos melhores especialistas da Europa. Está aí uma pessoa que não pode reclamar da sorte. Aliás, agora ela não pode mais reclamar de nada. "Pode ser um ataque cardíaco terrorista, que eu vou sobreviver. Posso estar sofrendo o golpe dos 5 pontos que explodem o coração, que eu não vou morrer. Como tenho sorte de uma coisa dessas acontecer logo aqui." Ledo engano. Tudo conspirava a seu favor, menos seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito impressionado com esta história. Não sei se serve como uma párabola para a nossa impotência frente à forca do acaso, ou a prova de que não existe lugar seguro contra fatalidades, ou qualquer outra coisa. Só sei que é bom manter uma distância de segurança de encontros de cardiologistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-2190250601376714685?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/2190250601376714685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=2190250601376714685&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2190250601376714685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2190250601376714685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/09/de-morrer.html' title='De morrer'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-7109617283651052137</id><published>2007-08-27T05:59:00.000-07:00</published><updated>2007-08-27T06:05:10.963-07:00</updated><title type='text'>Funeral</title><content type='html'>Foi no enterro que o caso aconteceu. O defunto era um sujeito chatíssimo, daqueles que ninguém consegue ficar um dia sem falar mal. Para se ter uma idéia, o sujeito era tão intragável que o apelido dele era Galvão Suplicy. E, para incredulidade de muitos, a quantidade de pessoas no evento era proporcional à chatice do mala dentro do caixão. Você deve estar se questionando por que tantas pessoas foram prestigiar uma pessoa de atributos tão pouco nobres. Ora, é óbvio. Ele tinha deixado para esta vida uma herança e tanto; uma filha de parar o funeral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quizila começou porque um espertinho resolveu mostrar todos os seus sentimentos para a órfã, num abraço mais apertado que lotação de subúrbio. O problema é que a herança já era propriedade de um tal Gérson Gigante, também conhecido como GG. E como o espertinho não largava a belezura de jeito maneira, o Gigante teve que intervir. Não se pode dizer que ele primava pela sutileza, mas sua reação foi a mais sutil que se esperava do sujeito: aplicou um safanão na nuca do espertinho que tem gente que até agora jura que viu o homem alçar vôo. E foi um bafafá, o tom de voz foi subindo, o Gigante ameaçando de morte o espertinho. Quando percebeu que se não fizesse alguma coisa o próximo enterro seria o seu, o espertinho apelou para a única saída que conseguiu pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, vamos acalmar porque senão vão acordar o defunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo instante a discussão acabou. Ninguém queria correr o risco de ser o responsável pela ressureição do chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;P.S. Desculpem-me pela ausência na semana passada. Por motivos que não valem a pena dizer, e também ninguém acreditaria, não foi possível escrever.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-7109617283651052137?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/7109617283651052137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=7109617283651052137&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7109617283651052137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/7109617283651052137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/08/funeral.html' title='Funeral'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4895095637464693058</id><published>2007-08-13T13:06:00.000-07:00</published><updated>2007-08-14T06:35:59.991-07:00</updated><title type='text'>Logo existo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O "penso, logo existo", cunhado por Descartes, foi a expressão máxima de uma época que primava pela racionalidade. Um preguiçoso, talvez o Garfield, o parodiou com o "penso, logo desisto". Mas estive pensando outro dia, que a parte mais importante desta máxima é o "logo existo" e não o penso. Até porque todas as pessoas existem. Já pensar...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pois se para Descartes o que definia a existência era a capacidade de pensar, penso que para cada tipo de pessoa há um fator que justifique sua existência. Um romântico, por exemplo, diria "amo, logo existo". Um ator pornô, "tenho ereções, logo existo". Um gordo, "como, logo existo". Uma beata, "creio, logo existo". Uma socialite, "compro e cheiro, logo existo". A Terri Schiavo, enquanto viva(?), seria "respiro por aparelhos, logo existo". Enfim, a lista seria enorme.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outro dia conheci um ser que, particularmente, gritou minha atenção. Você já deve ter visto ele pelas ruas, mas jamais reconheceria seu rosto. Por um simples motivo, ele trabalhava, aliás ainda trabalha, fantasiado. Não, ele não é um palhaço. Também não é nenhum daqueles homens que ficam "brincando" de estátua em troca de um trocado. Ele é representante de uma classe cada vez mais numerosa. A das pessoas que têm como trabalho, se fantasiar como mascote de determinada empresa para divulgar o nome da mesma. Geralmente, eles dançam uma animada coreografia embalados por uma música imaginária. O meu conhecido, veste uma fantasia de leão e chama atenção para um serviço que ensina pessoas que não querem pagar tantos impostos a driblar a receita. Daí o motivo do leão. Ele trabalha todos os dias, inclusive final de semana. Me contou que precisa (grande surpresa) trabalhar nos dias de descanso para "sustentá os menino". Os "menino" que, de tanto ter a ausência do pai por perto, nem o consideravam como tal. Mulher, não tinha mais. Perdeu quando perdeu o emprego de porteiro. Este havia sido perdido por causa da cachaça. Desde então, decidiu que a única forma de sustentar a prole era cortar a bebida. E desde que conseguiu este emprego, só faz isto. Faça chuva, faça sol, faça sol com chuva, lá está ele, movendo seus braços e pernas, nem sempre com o mesmo ritmo que deveria. E foi pensando sobre este homem que me veio a maior dificuldade. Não consegui encontrar a definição ideal para ele. Tentei, "trabalho para sustentar as crianças, logo existo", mas não achei adequado. Quem sabe, "danço freneticamente debaixo de um sol inclemente e de uma roupa de pelúcia, logo existo", mas também não era bem isso. Fui tentando diversas outras configurações, mas nenhuma conseguia definir bem quem era aquele homem. Estava quase desistindo, quando veio a conclusão: nada conseguiria dizer o que ele era. Ele era um homem que não existia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4895095637464693058?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4895095637464693058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4895095637464693058&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4895095637464693058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4895095637464693058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/08/logo-existo.html' title='Logo existo'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4220742174706939426</id><published>2007-08-07T07:42:00.000-07:00</published><updated>2007-08-07T07:54:17.176-07:00</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Lucas chegou no ponto de ônibus ainda ofegante. Estava atrasado, ainda não tinha se acostumado à rotina ir para o trabalho de condução. Deu de cara com Luciana, no abrigo de ônibus. Era a primeira vez que se encontravam desde que não dividiam o mesmo abrigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Oi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Oi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pegando ônibus?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pois é. Vendi o carro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sério?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Juro. Estou mobiliando a casa nova. Acho que esta minha nova fase pede móveis novos. Sei lá, estou curtindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E ouvindo música no Ipod. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Aprendi a mexer nisso. E sozinho. De vez em quando umas músicas somem aqui dentro, mas estou sobrevivendo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Se você me contar que o que está tocando não é Billie Holiday, eu vou suspeitar de que enfim conseguiram fazer uma clonagem humana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Nem estou. É aquela mulher que você gosta e que eu não sei pronunciar o nome.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Madeleine Peyroux? Então é um clone. Meu Deus, os brasileiros conseguiram.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele riu. Ela riu. Veio um ônibus. Não era o que ele ia tomar. Não era o que ela ia tomar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Deixa eu ver em qual música está, disse Luciana tomando o fone abruptamente. Mal colou o ouvido, Luciana já cantarolou um pedaço da música que tocava, &lt;i style=""&gt;“Sometimes you got to lose it all. &lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Before you find your way”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lucas estava constrangido, pensou que ela não cantara aqueles versos por acaso. Aquilo tinha sido pra ele, era óbvio. Mas o diabo do ônibus não vinha. O silêncio foi ficando cada vez mais alto. Decidiu que uma frase de elevador era melhor que nada. “Que calor” não dava, porque só um siberiano poderia chamar aquela de temperatura de calor. “Que frio” também não cabia, pois nem um saariano sentiria frio. Que inferno de tempo ameno, pensou lá com seu botões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Don’t Wait Too Long.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Como?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É a música... Que você cantou. Pena que não é o ônibus cantando pra mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Para nós. Eu também estou esperando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Para nós, desculpa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Por isso, está desculpado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- E pelo o que não estou?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Precisa dizer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Precisa, pensou. Mas não falou, sabia que ela diria mesmo assim. Não era o tipo de situação que requeria um pontapé inicial. Aliás, este pontapé já havia sido dado quando ele saiu de casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você sabe como deixou minha vida?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Desculpa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você sabe a tristeza que dá chegar em casa e não ter ninguém. Ficar lá sozinha. A mesma casa que a gente dividiu por quase 10 anos. Você pensou um pouquinho em mim antes de tomar sua decisão? Me diz? Você não teve consideração nenhuma por mim. E tudo isto por quê? Só porque você entrou na crise de meia idade e resolveu que quer curtir a vida. Sinto muito te dizer, mas você não é o Ferris Bueller. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não fala assim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Bem que a mamãe sempre disse que você era um irresponsável, um egoísta. Primeiro vem o umbigo do Senhor Lucas, depois vem o resto. É isto, eu sou o resto da sua vida. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Eu... eu te amo, mas é a minha independência que... que está em jogo, gaguejou, procurando interromper aquela briga o mais rápido possível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Até porque o ônibus que ele esperava vinha desesperado pela avenida. Lucas fez sinal para o ônibus, fez o sinal da cruz, deu um beijo transbordando de ternura na testa de Luciana e disse “Fica com Deus, filha”, já escalando os degraus, enquanto as lágrimas formavam cataratas em seu rosto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4220742174706939426?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4220742174706939426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4220742174706939426&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4220742174706939426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4220742174706939426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/08/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-4003061473718033254</id><published>2007-07-30T14:31:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T12:29:56.192-07:00</updated><title type='text'>Terapia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;– Sabe, eu ando meio cansado de tudo. Ir trabalhar anda difícil. Respirar anda difícil. Até andar anda difícil. Me faltam motivos para sair da cama de manhã. Mas ao mesmo tempo, também faltam motivos para ficar lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Você é muito dramática.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Isto não é coisa que um terapeuta fale com sua cliente. Só você pode me ajudar a achar um rumo. Nem trabalhar, que foi meu refúgio durante tanto tempo, tem me empolgado mais. Tudo que eu faço é monótono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Como você.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– O quê? Eu vou embora daqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Desculpa. Mas como você tem coragem de dizer que seu trabalho é monótono? Você leva pessoas para fazer rafting no rio mais perigoso do Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Exatamente. Se nem com um trabalho desses, eu consigo me animar, quiçá com as miudezas cotidianas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Ninguém fala “quiçá” hoje em dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Você é o pior analista do mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Ta bom, ta bom. Desculpa. Continua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– O pior é quando eu saio do trabalho. A última coisa que eu quero é chegar em casa. São momentos de tortura, sofrimento, dor. Nestes instantes, a minha cabeça fica dominada sempre pelo mesmo filme. Na verdade é uma novela. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Mexicana... Desculpa, desculpa. Vou me conter. Continua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Meus sentimentos entram em uma sangrenta batalha. De um lado, estou feliz por não ter que descer sempre aquele mesmo rio, de ver aquelas mesmas pedras, de correr sempre aqueles mesmos riscos. Por outro lado, me dá enjôos pensar que vou ter que passar algumas horas com a pessoa que eu escolhi para chamar de meu amor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– O amor acabou?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Não, o amor não acabou. O problema é que ele está guardado no fundo do meu ser, soterrado pelas pequenas irritações que nos são reservadas pelo dia-a-dia e, principalmente, pelo noite-a-noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Então foi o tesão que acabou?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Não só. Mas acho que um parou de se interessar pelo outro. Aquela coisa mágica de a cada dia descobrir um gosto, uma excentricidade do outro, já não existe mais. Antes, tudo era excitação. Agora, tudo é irritação. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Já tentou uma conversa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Até uma conversa se tornou um suplício. A falta de diálogo e a falta de tesão me fizeram procurar alguma saída.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Que saída?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Uma saída de emergência. Uma via alternativa. Um novo rumo. Um trajeto. Um caminho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Que caminho, porra?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Um amante, porra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Amante? Você tem um amante? Você é uma filha da puta. Isto que você é, uma filha da puta. Como teve coragem de me trair?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Espera aí, eu traí meu marido. E neste momento, você é apenas meu terapeuta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Safada. Vagabunda. Muito safada. Muito vagabunda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– E tem mais. Como meu terapeuta, você tem que manter sigilo profissional. E como você é a única pessoa que sabe sobre o amante, se meu marido descobrir, eu vou saber que foi você quem contou. Eu posso te denunciar ao conselho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Mas eu sou seu marido e já estou sabendo. Safada. Vagabunda. Muito safada. Muito vagabunda. Desapareça daqui agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Sabia que esta idéia de você ser meu terapeuta não ia dar certo. E ainda tem gente que fala que salvou seu casamento através da terapia de casal.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-4003061473718033254?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/4003061473718033254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=4003061473718033254&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4003061473718033254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/4003061473718033254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/07/terapia-de-casal.html' title='Terapia'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-2621983927243623812</id><published>2007-07-23T15:15:00.000-07:00</published><updated>2007-07-23T15:17:20.293-07:00</updated><title type='text'>Se chover, não beba gim tônica</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;São 7 horas de sexta-feira e você está no bar, cercado de amigos, pedindo a primeira dose de gim tônica. O clima está legal. O da mesa de bar, porque lá fora está chovendo uma daquelas chuvas que derrubam barracos, geram discursos vazios dos governantes e manchetes sensacionalistas. Você está cansado depois de uma semana de trabalho. Tudo que você quer é ficar ali, jogando conversa fora e gim tônica pra dentro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;São 9 horas, a chuva é a mesma, mas os assuntos variam. Começa-se na política, passa para o futebol e, como sempre acontece naquela mesa de bar, chega-se ao sexo. Especificamente, fala-se sobre a melhor trilha sonora para uma boa transa. Você chega a opinar, dizer uma bobagem qualquer. Mas prefere calar. É o tipo do assunto que é melhor ouvir do que falar. Afinal, você vai perder qualquer chance de traçar aquela ruiva com sardas que está sentada do outro lado da mesa quando ela souber que você gosta de transar ouvindo A Voz do Brasil. E o pior, ouvir da sua própria boca, a mesma boca que pretende percorrer e contabilizar todas as sardas daquele corpinho cor de morango com chantili. Mas você é prudente. Prefere reservar sua boca para a gim tônica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já é meia noite. A chuva está ainda pior, mas você nem percebe mais. A mesa se reduz a 5 pessoas, entre elas a ruiva. Depois do sexo, todos fumam e o papo chega até o significado da vida. Agora, você não tem medo de dar opinião. Até porque pelo nível de idiotices, qualquer coisa que você disser vai parecer um poema do Fernando Pessoa. E já que o nome dele veio à cabeça, você decide citá-lo. &lt;i style=""&gt;“O &lt;span style=""&gt;Binômio de Newton&lt;/span&gt; é tão belo como a &lt;span style=""&gt;Vênus de Milo&lt;/span&gt;. O que há é pouca gente para dar por isso”. &lt;/i&gt;Mesmo sem entender o que sua frase tem a ver com o assunto, todos dirigem seus olhares cheios de admiração para você. Que até pensa em citar a fonte, mas conclui que é melhor ficar com os créditos. Pelo estado de embriaguez geral, ninguém vai se lembrar da frase no dia seguinte. Você vira um copo cheio de gim tônica e muda de cadeira, sentando ao lado da ruiva. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;São 3 e meia. A chuva torrencial se transforma em chuva de granizo. A única mesa ocupada no bar é a sua. Que agora tem só 3 pessoas. Entre elas, a ruiva. Você fala coisas ao pé do ouvido dela. Ela ri. Você só não é o mais bêbado da reduzida mesa, porque a ruiva mal consegue parar sentada. Você tenta chamar o garçom e pedir mais um copo de gim tônica, mas percebe que os sons que saem da sua boca não conseguem se transformar em palavras. E mesmo que conseguissem, de nada adiantaria, porque a chuva caindo no telhado inviabilizaria uma conversa até entre vendedores de feira. Você se questiona se a ruiva está entendendo alguma coisa que você diz e conclui que não, que ela só ri dos grunhidos que você emite porque ela quer sentir sua língua percorrendo aquele corpo cor de morango com chantili. Quem sabe, até lambrecado de morango com chantili. Você ouve um som ao fundo. Talvez alguém esteja tentando falar com você. Mas você não consegue entender nada. E como você também não consegue ser entendido, resolve se expressar através das mãos. Mais precisamente, enfiando sua mão direita no peito esquerdo da ruiva. Qual não é sua surpresa quando você leva um tapa à la Splish Splash. Não, não foi a ruiva, que inclusive parece estar gostando bem da situação. Então, você percebe que a outra pessoa que tinha restado na mesa era justamente sua namorada, que tentava te lembrar aos gritos que ela estava ali, assistindo toda aquela vergonhosa cena. No dia seguinte, já com o calor da situação resfriado, você a convence de que não foi bem assim, que ela também estava muito bêbada e que acabou vendo mais do que realmente aconteceu. É uma batalha dura, mas você vence pela insistência. Ela te perdoa, mas impõe uma única condição: gim tônica, nunca mais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-2621983927243623812?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/2621983927243623812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=2621983927243623812&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2621983927243623812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2621983927243623812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/07/se-chover-no-beba-gim-tnica.html' title='Se chover, não beba gim tônica'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-2168326481704235533</id><published>2007-07-16T14:24:00.000-07:00</published><updated>2007-07-17T11:47:08.696-07:00</updated><title type='text'>Desgraça</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O despertador tocou às 6 e 15. Era sábado. Esqueci de desativar o despertador, pensou ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Desgraça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ahn?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Esqueci de desligar a desgraça do despertador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não fala esta palavra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É palavra feia, não pode.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Até parece. Existe muita palavra pior. Uma “desgraça” parece cara de melão perto de “energúmeno”, ou “vetusto”, ou ainda “Argentina”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas não pode. Dá zica. É igual a kryptonita para o Super Homem...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ou um treino físico para o Romário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mas chega de papo. Tenho que levantar, combinei com minha mãe de irmos visitar a vovó.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Arrá. Então foi você que ligou o despertador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ué, em nenhum momento eu disse que não tinha sido eu. Mas você pode voltar dormir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Agora não consigo. Que desgraça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pára de falar esta palavra. Ah, e você vai ter que fazer um favor pra mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Se eu vou ter que fazer, já não é favor, é obrigação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Tanto faz. Leva a Titiça pra passear.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ah, não. Tudo menos o poodle satânico.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sem essa. A Titiça não pode ficar o dia todo dentro de casa. É bom que você se diverte também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- A única possibilidade de eu ter algum tipo de diversão é se, durante o passeio, um caminhão passar por cima dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Por que você sempre acorda neste mau humor?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Antes mau humor do que falta de humor. Mas a questão não é do meu humor e sim deste coletivo de irritações chamado cachorro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ai, que horror. Morro de vergonha quando você fala essas coisas. Não deixa ninguém ouvir você falando assim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pois é. Isto que me dá nos nervos. Parece que a culpa é minha e não dos cães. As pessoas me tratam como um cachorro quando digo uma coisa dessas. Aliás, me tratam como eu trato os cachorros. São apenas cães, porra. Eu me sinto como um nazista dentro de uma sinagoga. Que desgraça!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pára de reclamar senão te levo junto para visitar a vovó.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sua mãe e sua avó juntas ou passear com o poodle fedorento. É como escolher entre levar um tiro no cérebro ou no coração. Acho que é uma morte menos dolorosa passear com o saco de pêlos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Amar é levar o poodle para passear, - disse ela, beijando-lhe a boca e rindo, um pouco da situação e um pouco do mau humor do marido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E lá se foi ele, arrastando pelas ruas o pobre bichinho. Tudo ia bem. Uma moça bonita parou para brincar com o cachorro. Ele fez graça com ela. Estabeleceram um papo, ele contou sobre como gostava de cachorros, que não havia amizade mais sincera do que a de um cão, que não entendia como alguém poderia não simpatizar com um cachorro. Até que a Titiça resolveu defender sua dona com sua arma mais eficaz e descarregou seu estrume sobre os pés da moça, que reagiu até com certa naturalidade. Quem não reagiu nada bem foi ele, que lançou todo o seu arsenal de impropérios contra os caninos, espantando a moça, que não só o repreendeu como ainda limpou o pé em sua calça. E foi aí que ele se lembrou da frase da esposa e disse em alto e mau som.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Desgraça mesmo é levar poodle para passear. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E começou a considerar que talvez esta história de que “desgraça” atrai desgraça, tivesse um fundo de verdade. Ele ficaria sem falar desgraça, desde que ele, fosse ele o destino, Deus ou qualquer outra coisa, nunca mais o fizesse passar pela desgraça maior que é levar cachorro para passear. Como não sabia com quem fazer o acordo, apertou sua mão direita com a esquerda e sacudiu. Ora a lenda, que foi nesta hora que a Titiça correu pela rua e foi atingida por um caminhão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-2168326481704235533?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/2168326481704235533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=2168326481704235533&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2168326481704235533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/2168326481704235533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/07/desgraa.html' title='Desgraça'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-3701730742927426503</id><published>2007-07-09T14:47:00.000-07:00</published><updated>2007-07-09T14:49:07.282-07:00</updated><title type='text'>Toda bebedeira será castigada</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Tem dias em que não dá. Na maioria das vezes a ressaca pode até ser combatida, mas em alguns casos especiais, é humanamente impossível. Costumo dizer que a ressaca é a prova de que Deus existe e não quer que a gente seja feliz. Não tenho a mínima idéia de quem é o autor desta frase. Corre o risco até de ser minha. Sei lá. Só sei que este domingo não teve jeito. Peço desculpa a todos meus 3 leitores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vão ler algo mais interessante, tem tanta coisa boa acontecendo, o Pan que já vai começar, o processo contra o Calheiros, mas que muito mais parece a favor do Calheiros, o recém acontecido Live Earth... Pensando bem, qualquer coisa que eu escrever será menos pedante que todas estas coisas.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vai então esta historinha que eu chamei de Herança Maldita.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pai, posso comer chocolate?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Veja bem. A complexidade da questão se dá por meio da miscigenação de valores, do bem e do mal, do certo e do errado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Então eu posso comer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você não compreendeu o cerne da questão. Você é permeada pelo conceito do livre arbítrio. Suas escolhas vão de acordo com sua interioridade, com sua afinação, com sua interioridade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Vou perguntar pra mamãe.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com o Gilberto Gil como pai, fica fácil entender porque a Preta Gil é daquele jeito.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-3701730742927426503?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/3701730742927426503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=3701730742927426503&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3701730742927426503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/3701730742927426503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/07/toda-bebedeira-ser-castigada.html' title='Toda bebedeira será castigada'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-8593209845792547703</id><published>2007-07-02T06:08:00.000-07:00</published><updated>2007-07-02T06:09:29.470-07:00</updated><title type='text'>Controlzê</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Você está lendo esta frase normalmente, mas quando ela foi escrita, era bem diferente. É famosa no cinema a cena em que o escritor, com bloqueio criativo, rabisca uma frase no papel, percebe que foi uma asneira colossal, amassa e joga no lixo. Para a felicidade dos ambientalistas, este mau exemplo acabou. Nos tempos modernos, a pessoa digita uma frase genial no computador. Percebe que a frase não tinha nada de genial e aperta o famigerado ctrl+z (controlzê, para os íntimos).&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Breve pausa. Se você tem menos de 40 anos, famigerado significa célebre, notável. Se você tem mais de 40, ctrl e z são duas teclas do computador. Bem, se você não sabe o que é ctrl+z, não deve estar lendo este blog, então voltemos ao que importa.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A verdade é que se o controlzê pudesse ser aplicado fora do mundo virtual, ele teria poupado o mundo de muitas bobagens, desde o Gurgel até as músicas do Latino. É justamente aí que reside o grande problema do controlzê. O danado nos deixa mal acostumados, nos torna pessoas inconseqüentes. Uma prova? Não tenho, porque dei controlzê em todas. Aliás, esta piada infame é uma prova. Eu poderia muito bem a ter apagado e ninguém saberia que meu humor é digno de Zorra Total. Mas eu precisei dela para comprovar minha tese.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas tanta enrolação é para chegar na conclusão mais piegas que tive nos últimos tempos: a grande questão da humanidade não é se existe vida após a morte, ou se Deus existe, e sim porque não dá pra aplicar controlzê em todas as situações da vida real. Bem que o Steve Jobs poderia desenvolver um i-qualquercoisa e resolver este problema, né.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-8593209845792547703?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/8593209845792547703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=8593209845792547703&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8593209845792547703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/8593209845792547703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/07/controlz.html' title='Controlzê'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-1021324439098616523</id><published>2007-06-25T05:38:00.000-07:00</published><updated>2007-06-25T15:46:00.132-07:00</updated><title type='text'>Duas histórias e uma moral</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estes textos estão na primeira pessoa porque, a não ser que eu tenha inventado, estas duas histórias realmente aconteceram comigo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A primeira história é a seguinte. Uma priminha de 3 anos, de nome Carolina e de alcunha Carol, veio me contar que sua cachorrinha poodle, que atendia pela graça de Pipoca, morrera, mordida por um outro cachorro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sabia que a Pipoca morreu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Morreu, Carol?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Morreu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Achei o assunto muito mórbido para uma princesinha e tentei amenizar. Sapecar um eufemismozinho não faz mal a ninguém, pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, Carol. Ela foi para um lugar cheio de outros cachorrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não, morreu mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Irredutível, sem titubear. Não tinha argumento, a Pipoca morreu e. (quem não entender esta piada, deixe um comentário que eu explico depois) Acontece que uns dias depois ela resolve me contar a mesma história. Aí foi minha vez de insistir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- A Pipoca morreu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Morreu não, Carol. Ela foi para um lugar cheio de outros cachorrinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É, isso mesmo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando eu finalmente achei que tinha ganhado a luta por pontos, veio o nocaute.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Aí o cachorro grande foi lá e mordeu ela.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Maldita Carol. Não só me venceu duas vezes, como ainda fez troça de mim. Quando tiver idade para ler isto, saiba que chutar cachorro morto não vale, Carol.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A outra história é que dois meses antes do 1º de abril, resolvi pregar uma peça nos meus amigos. Inventei uma viagem de intercâmbio para Burkina Faso. E uma viagem pedia uma festa de despedida. O dia escolhido foi um domingo, não por coincidência, 1º de abril. Contei a algumas pessoas necessárias a verdade. Entre estas, meu chefe e minha mãe, porque não queria ter meu nome engordando as estatísticas de desempregados, nem ter meu nome retirado do testamento. Voltando. Como as pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa, nem precisei inventar muitos detalhes. Resumindo, mais de 50 presentes na festa e mais uns 100 não presentes, mas igualmente enganados.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Imoral da história: mérito mesmo é enganar criança, adulto é muito fácil. Estão aí os políticos que não me deixam mentir (mas só por birra eu desobedeço).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-1021324439098616523?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/1021324439098616523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=1021324439098616523&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1021324439098616523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/1021324439098616523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/06/duas-histrias-e-uma-moral.html' title='Duas histórias e uma moral'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-6249174671326982473</id><published>2007-06-18T06:14:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T07:51:39.945-07:00</updated><title type='text'>Sexta de Carnaval</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Ele queria viajar com a turma, como fazia todo ano, há 10 anos. Até a esposa ia na viagem, havia sido efetivada na turma. Mas ele ficaria. Estava sem grana, tinha sido demitido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrou no Messenger, na esperança de achar outro fracassado que ficaria na cidade. Só 3 pessoas on-line.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma prima velha, que usava a Internet para jogar campo minado contra outras pessoas de verdade com uma vida de mentira. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um amigo de um amigo de um ex-amigo. Tinha o adicionado só para marcarem o futebol e não tinha a menor intimidade com o sujeito, que além de tudo era um tremendo perna de pau. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por fim, Ela. Tinham tido um caso, durante uns 2 anos. Para ela, 2 anos, 3 meses e 12 dias. Era sua estagiária, foi aí que começou. Muito dedicada, ela logo foi contratada. O problema é que ela também era dedicada no namoro. O caso foi ficando sério, ela pressionava para que ele terminasse com a esposa. Preferiu acabar o caso que o casamento. Mas faltou nele algo que falta na vida de todos nós, algo que evitaria tantos erros e peças do Nelson Rodrigues: o aprimoramento do sexto sentido. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como ele poderia prever que um dia ela se tornaria sua chefe? E que este dia chegaria em menos de 2 semanas após o rompimento? Mas tinham mais coisas que ele não sabia. Que ela era vingativa, por exemplo, e que faria cortes no departamento, “para reestruturar a equipe”. Pelos cortes feitos, ele era a laranja podre, já que foi o único demitido. Nada pessoal, ela disse.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pois bem. Lá estava ela, trabalhando em plena sexta-feira de carnaval. Definitivamente, ele jamais faria este tipo de sacrifício por uma promoção. Puxou assunto no Messenger.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ele diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Pensei em você outro dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era verdade. Quando foi receber a última parcela do seguro desemprego tinha pensado nela. Não foi um pensamento repleto de sentimentos. Se bem que ódio, rancor e vontade de arrancar a cabeça dela com um cortador de grama, também eram sentimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ele diz:&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Vai passar o carnaval na cidade?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ela diz:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt;"&gt;Muito trabalho. Se viajar, só viajo na terça. Visitar a mamãe, hehe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que irônico, ela não ia viajar por excesso de trabalho e ele por falta. Neste momento não teve vontade de extirpar a cabeça dela com um cortador de grama. Estava pensando que o processo deveria ser mais torturante, um misto de eletrochoque ao som do Jota Quest.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ele diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Já que vai ficar, que tal a gente sair para tomar umas tequilas hoje? Você ainda gosta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sempre soube que ela tinha dois pontos fracos: tequila e Ele. Os dois juntos formavam uma dupla melhor que goiabada com queijo – que eram os pontos fracos dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ali, na bendita tela do computador, estava a chance de não passar o próximo carnaval olhando para aquela maldita tela de computador. Não podia desperdiçar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ela diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Gosto, hehehe. Você sabe que é minha paixão eterna.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ele diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Sei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ela diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;To falando da tequila.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Ele diz:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;Eu não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não só saíram naquele dia, como todos os outros do carnaval. Ele prometeu reatar o namoro, largar a esposa, fazer as coisas do jeito certo. Ela disse que não era tão fácil assim, tinha começado um relacionamento. Alguém que levava ela a sério. Alguém que não a escondia dentro da geladeira estragada. O velho discurso “alguém que é bem diferente de você, seu canalha”. Ele sabia que era um canalha, mas sabia que era o canalha da vida dela. Nenhum outro canalha poderia roubar este posto. Sabia que se insistisse, reconquistaria, não só ela, mas principalmente o emprego.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enfim, na quarta-feira de cinzas ela não resistiu mais e admitiu reatar o namoro. Mas ele teria que dar provas de que largaria a esposa. Um casamento tão bom, pensou ele. Uma pena ter que terminar, mas o que se há de fazer. É mais fácil se acostumar com a mulher do que com o desemprego. Terminou com a esposa ainda na quarta-feira. Agora que já tinha feito a parte dele, era vez dela abandonar o seu caso. O que ele não sabia (neste caso nem precisava ser vidente, bastava ser um pouquinho esperto) era que o namorado era também chefe dela. Bem, agora ex-namorado. E ex-chefe.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora a situação era muito pior. Com os dois desempregados, ele sabia que jamais ganharia dela em uma disputa de emprego.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-6249174671326982473?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/6249174671326982473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=6249174671326982473&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6249174671326982473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/6249174671326982473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/06/sexta-de-carnaval.html' title='Sexta de Carnaval'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5658460424136923888</id><published>2007-06-11T05:44:00.000-07:00</published><updated>2007-06-11T05:45:36.682-07:00</updated><title type='text'>Em Comum</title><content type='html'>Eles tinham em comum apenas uma coisa: o fato de não terem nada em comum. Ele não acreditava em nada que não fosse racional. Não que fosse aquele tipo de pessoa que só acreditava vendo. Mesmo se visse, continuava sem acreditar. Era de um ceticismo xiita, ou como Ele preferia se definir, “um ateu fanático”. Já Ela acreditava em qualquer misticismo: duende, búzios, candomblé, destino e até em homens. E foi exatamente a isto que Ela atribuiu o encontro dos dois. Ao destino, não aos homens. Se conheceram na fila do banco. Ele estava querendo sacar pequena parte do seu dinheiro para investir numa ação que tinha demonstrado grande potencial de valorização. Ela tinha ido sacar todo seu dinheiro, mas para investir em outra coisa. Tinha sonhado com uma cobra, e queria jogar todo seu dinheiro no número 9 do jogo do bicho. Ele puxou conversa, reclamou da fila, comentou que se tivesse 1 caixa a mais, seriam poupados 9 minutos de espera, e que se tivessem 2 caixas a mais, seriam poupados cerca de 19 minutos. Ela achou que se Ele falou 9 tantas vezes, só podia ser um sinal. Ou o número era mesmo da sorte ou o homem era. Foi então que Ela contou sobre o sonho, a repetição de 9 ditas por ele e o plano de investir todo o dinheiro na cobra. (Quando Ela disse “investir o dinheiro no jogo”, Ele sentiu vontade de cortar os próprios punhos fora, mas resistiu.) Ele sugeriu que talvez todos estes indícios pudessem significar outra coisa, que talvez não fosse sensato “investir”, todo o dinheiro. Na verdade Ele estava pensando que só uma louca desvairada poderia fazer uma coisa parecida, mas preferiu ser polido. Convencida Ela não ficou, mas achou tão exótico alguém que calculava o tempo que um caixa a mais economizaria na fila... Pensou que talvez o sinal fosse mesmo que aquele era um homem para apostar todas as fichas. E assim preferiu apostar no homem que na cobra. Ele vinha se dedicando muito ao trabalho e viu ali uma chance para sair da seca. As ações que esperassem, porque Ele tinha outras ações como prioridade. Ele pode até não concordar, mas só a ironia do destino poderia juntar pessoas tão diferentes. Mais tarde, quando Ele tirou a roupa d’Ela, percebeu outra coisa que tinham em comum. O destino tinha passado de irônico a sarcástico. Na verdade, Ela era ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5658460424136923888?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5658460424136923888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5658460424136923888&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5658460424136923888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5658460424136923888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/06/em-comum.html' title='Em Comum'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4955827902192204062.post-5576290525007447491</id><published>2007-05-29T16:22:00.000-07:00</published><updated>2007-06-04T07:12:37.904-07:00</updated><title type='text'>Domingo pela Manhã</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele já tinha uma suspeita, mas neste dia foi que teve A Revelação. Era dramático e gostava de falar assim mesmo, como se fosse uma coisa mística. O assunto na mesa do bar era a Fórmula 1. Todos discutiam o tema com empolgação, menos ele. Não entendia como alguém podia ter algum interesse por aquilo. No passado até gostava de corridas, torcia para o Senna, secava o Prost, se divertia com o Mansell. Mas de um tempo para cá achava tudo chatíssimo. Não conseguia passar 10 minutos na frente da TV. Ele até se esforçava, mas aquela disputa sempre tinha um mesmo vencedor: o controle remoto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Bem, mas foi na mesa de bar que ele entendeu (ou teve A Revelação, como prefere dizer). A culpa não era das corridas e sim do horário. No domingo pela manhã era impossível prestar atenção em qualquer coisa. Não conseguia ler jornal, não conseguia ver um filme inteiro, não conseguia discutir a relação... Se bem que nunca conseguia discutir a relação. Mas a culpa de não gostar de Fórmula 1 era simplesmente o horário. Todo sábado cumpria o mesmo ritual, embora em lugares diferentes: bebia como um Boris Ieltsin (ou como um Lula, para agradar os nacionalistas). E com a ressaca torturando sua cabeça, era impossível gostar de qualquer coisa no domingo pela manhã.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já que não pensava em parar de cumprir o ritual, já sagrado para sua vida de cético, teria que achar outra solução. Tinha que fazer alguma coisa para não desperdiçar o domingo pela manhã. Até cogitou tomar uma branquinha no café, mas sabia que se começasse a beber cedo, só ia conseguir transferir a ressaca para a segunda-feira. Definitivamente, não era uma boa idéia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou com o resto de neurônios que o rum do dia anterior tinha poupado e decidiu escrever. Contos, crônicas, poemas, recados, o que viesse à cabeça dolorida. Seria um esforço enorme, mas se conseguisse produzir, uma linha que fosse, já seria a glória. Seria a prova que sim, existe vida após a bebedeira. Uma vida alienígena, mas ainda vida. Uma prova de que a ressaca é um forte inimigo, mas que pode ser combatido. O primeiro passo para um dia conseguir fazer qualquer coisa no domingo pela manhã, menos discutir a relação.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4955827902192204062-5576290525007447491?l=domingopelamanha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/feeds/5576290525007447491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4955827902192204062&amp;postID=5576290525007447491&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5576290525007447491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4955827902192204062/posts/default/5576290525007447491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://domingopelamanha.blogspot.com/2007/05/domingo-pela-manh.html' title='Domingo pela Manhã'/><author><name>Vicente Celestino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry></feed>
