Já era, Dunga!
Dunga é um gênio.
Ok, o manual do bom orador recomenda jamais começar discursos com frases polêmicas. Mas às favas os manuais.
Dunga ficou nos anais da história como símbolo do jogo pragmático, do “importante-é-a-vitória-e-se-der-tem-futebol”. A malfadada Era Dunga. Cá entre nós, Dunga sempre foi um ótimo volante. Dava passes, cadenciava o jogo. Os que carecem de juventude lembram do passe de trivela para o Romário contra Camarões em 94. Pode-se argumentar que Dunga foi o capitão da seleção menos imaginativa a ganhar uma Copa até então. (A Itália em 2006 conseguiu a façanha de superar este posto). Mas não é culpa dele se os encarregados da armação possuíam a criatividade de um cabeleireiro do exército. Dunga cumpria tão bem sua função que até se dava ao luxo de se aventurar na armação das jogadas.
Enfim. Podem reclamar do Dunga (e como reclamam), espernear, mas poucos perceberam a genialidade de sua estratégia. Depois de um breve apanhado, vocês hão de reconhecer. Recapitulando: em 2006, o Brasil possuía o melhor escrete do mundo. Havíamos acabado de ganhar a Copa das Confederações, com uma sarrafada sobre a Argentina. Ronaldinho Gaúcho era o cara. Deus havia descido sobre a Terra, se escondendo dentro da arcada dentária protuberante, o cabelo de pixaim e tudo o mais. Comentaristas não hesitavam em compará-lo ao melhor de todos, entende? Num vídeo que circulava pela internet, ele chutava a bola repetidas vezes no travessão, com a pelota sempre voltando certinha, macia, para o seu peito. Pessoas chegavam ao disparate de discutir se era verdade ou efeito de computador. A fé cegava. Ninguém duvidaria se, num acesso de Didi Mocó, ele batesse escanteio, corresse para a área e cabeceasse para as redes. Fora as profanidades de praxe: eleito melhor do mundo nos 2 anos anteriores, comandou o Barcelona nos títulos do Espanhol e da Champions League. E para completar a santa ceia futebolística, ainda havia Ronaldo. Mesmo acima do peso, ele continuava marcando seus gols pelo Real Madrid e, 4 anos antes, tinha dado provas de que qualquer prognóstico a seu respeito já nascia falacioso. Sua especialidade era derrubar opiniões de especialistas. Em 2002 ele já havia ressuscitado, não na frente de três crianças lusas, mas sim diante de 6 milhões de viventes.
E a lista, extensa como a do supermercado, não se aquietava por aí. Kaká já comandava o Milan em grandes campanhas na Champions League. Adriano era a reencarnação do homônimo Imperador, com um verdadeiro petardo de esquerda. O Brasil possuía o ímpeto e a força de uma Scania na descida.
E o que aconteceu todos sabem. Derrota, vexame, e a eliminação para a França após o massacrante 1 a 0 nas quartas de final. O culpado: a badalação ilimitada, o assédio hollywoodiano aos jogadores nos treinos. Kaká, em recente matéria da revista ESPN, sacramentou o que foi a preparação para aquela Copa. “Era a maior badalação, treinos sempre cheios de pessoas. É legal uma vez ou outra, mas o atleta, num período de Copa, precisa ter um treino só com o grupo, só com jogadores. Um treino mais concentrado, onde você pode errar, xingar”, segundo as palavras do melhor jogador virgem da história.
Então qual seria a saída para o sucessor de Parreira? Galináceo dos mais pragmáticos que já ciscou pela Granja Comary, Dunga sabia que para retomar a credibilidade da Celessão seria obrigatório acabar com o furdunço quando os jogadores estivessem reunidos. E é aí, miguxos da Rede Globo, que Dunga mostrou ser dono de uma genialidade ímpar. O time do Brasil só era assediado porque detinha os maiores craques do planeta, capazes de malabarismos incríveis, lances para a posteridade. Extirpando os craques do time, cessaria também o assédio cancerígeno. Todos queriam ver Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano, os magos da bola, encantarem os olhos infantis de todo amante do futebol. O fascínio pelo futebol é simples. O que todos querem ver não vai muito além do coelho saindo da cartola. Agora, nesta atual seleção, o que os treinamentos do Brasil nos oferecem não passa da visão macroscópica de um formigueiro. E eu lhes pergunto: quem, em saudável consciência, sairia de casa para ver os operários Felipe Melo, Josué, Elano, Klebérson e Michel Bastos carregando suas folhas?
O Brasil pode perder por falta de criatividade, pelas parcas opções de jogo, pelo excesso de volantes. Mas uma segurança todos temos. A farra e a patuscada não serão nossos algozes nesta Copa.
Definitivamente, um gênio.
Ok, o manual do bom orador recomenda jamais começar discursos com frases polêmicas. Mas às favas os manuais.
Dunga ficou nos anais da história como símbolo do jogo pragmático, do “importante-é-a-vitória-e-se-der-tem-futebol”. A malfadada Era Dunga. Cá entre nós, Dunga sempre foi um ótimo volante. Dava passes, cadenciava o jogo. Os que carecem de juventude lembram do passe de trivela para o Romário contra Camarões em 94. Pode-se argumentar que Dunga foi o capitão da seleção menos imaginativa a ganhar uma Copa até então. (A Itália em 2006 conseguiu a façanha de superar este posto). Mas não é culpa dele se os encarregados da armação possuíam a criatividade de um cabeleireiro do exército. Dunga cumpria tão bem sua função que até se dava ao luxo de se aventurar na armação das jogadas.
Enfim. Podem reclamar do Dunga (e como reclamam), espernear, mas poucos perceberam a genialidade de sua estratégia. Depois de um breve apanhado, vocês hão de reconhecer. Recapitulando: em 2006, o Brasil possuía o melhor escrete do mundo. Havíamos acabado de ganhar a Copa das Confederações, com uma sarrafada sobre a Argentina. Ronaldinho Gaúcho era o cara. Deus havia descido sobre a Terra, se escondendo dentro da arcada dentária protuberante, o cabelo de pixaim e tudo o mais. Comentaristas não hesitavam em compará-lo ao melhor de todos, entende? Num vídeo que circulava pela internet, ele chutava a bola repetidas vezes no travessão, com a pelota sempre voltando certinha, macia, para o seu peito. Pessoas chegavam ao disparate de discutir se era verdade ou efeito de computador. A fé cegava. Ninguém duvidaria se, num acesso de Didi Mocó, ele batesse escanteio, corresse para a área e cabeceasse para as redes. Fora as profanidades de praxe: eleito melhor do mundo nos 2 anos anteriores, comandou o Barcelona nos títulos do Espanhol e da Champions League. E para completar a santa ceia futebolística, ainda havia Ronaldo. Mesmo acima do peso, ele continuava marcando seus gols pelo Real Madrid e, 4 anos antes, tinha dado provas de que qualquer prognóstico a seu respeito já nascia falacioso. Sua especialidade era derrubar opiniões de especialistas. Em 2002 ele já havia ressuscitado, não na frente de três crianças lusas, mas sim diante de 6 milhões de viventes.
E a lista, extensa como a do supermercado, não se aquietava por aí. Kaká já comandava o Milan em grandes campanhas na Champions League. Adriano era a reencarnação do homônimo Imperador, com um verdadeiro petardo de esquerda. O Brasil possuía o ímpeto e a força de uma Scania na descida.
E o que aconteceu todos sabem. Derrota, vexame, e a eliminação para a França após o massacrante 1 a 0 nas quartas de final. O culpado: a badalação ilimitada, o assédio hollywoodiano aos jogadores nos treinos. Kaká, em recente matéria da revista ESPN, sacramentou o que foi a preparação para aquela Copa. “Era a maior badalação, treinos sempre cheios de pessoas. É legal uma vez ou outra, mas o atleta, num período de Copa, precisa ter um treino só com o grupo, só com jogadores. Um treino mais concentrado, onde você pode errar, xingar”, segundo as palavras do melhor jogador virgem da história.
Então qual seria a saída para o sucessor de Parreira? Galináceo dos mais pragmáticos que já ciscou pela Granja Comary, Dunga sabia que para retomar a credibilidade da Celessão seria obrigatório acabar com o furdunço quando os jogadores estivessem reunidos. E é aí, miguxos da Rede Globo, que Dunga mostrou ser dono de uma genialidade ímpar. O time do Brasil só era assediado porque detinha os maiores craques do planeta, capazes de malabarismos incríveis, lances para a posteridade. Extirpando os craques do time, cessaria também o assédio cancerígeno. Todos queriam ver Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano, os magos da bola, encantarem os olhos infantis de todo amante do futebol. O fascínio pelo futebol é simples. O que todos querem ver não vai muito além do coelho saindo da cartola. Agora, nesta atual seleção, o que os treinamentos do Brasil nos oferecem não passa da visão macroscópica de um formigueiro. E eu lhes pergunto: quem, em saudável consciência, sairia de casa para ver os operários Felipe Melo, Josué, Elano, Klebérson e Michel Bastos carregando suas folhas?
O Brasil pode perder por falta de criatividade, pelas parcas opções de jogo, pelo excesso de volantes. Mas uma segurança todos temos. A farra e a patuscada não serão nossos algozes nesta Copa.
Definitivamente, um gênio.
Marcadores: Dunga

6 Comentários:
Não sei o que é melhor: o texto, o vídeo ou o título.
Definitivamente genial.
Acredito que ser disciplinador e nao conseguir um equilibrio entre o talento de seus jogadores e um time funcional não faz do Dunga um gênio,apenas um cara com uma idéia ousada.Se der errado,vai ser apedrejado por sua própria ousadia que em certos momentos confunde-se com seu ego.
Olha quem voltou! E com direito a trocadilho esperto no título. Sabia que eu não tinha visitado esse blog por seis meses em vão.
Então você já sabia?
Por que você não volta e continua postando? Gosto muito dos seus contos!
Olá,
Gostei bastante do blog.
Gostaria de saber se está disponível para fazer uma ligação ao meu blog.. Eu fazia uma ligação do seu blog e você fazia do meu... Uma parceria.
qualquer coisa estou no email: kleber_guedes_11@hotmail.com
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início