Perseguição Implacável
Andava pela rua, com o passo leve de quem não pretende chegar a lugar algum. Era hora do almoço e as pessoas andavam correndo para cá e para lá, talvez por fome, talvez por não saber mais andar de outro jeito. Eu não estava lá muito faminto, nem tinha um objetivo imediato qualquer que me impelisse a ir no ritmo da cidade.
Quando me aproximava de uma esquina, vi uma mulher… digamos… Bem, ela me fez acreditar que nenhum adjetivo já existente seria digno para descrevê-la. Nenhuma palavra que eu usasse faria jus à ela. Era a mulher com quem eu gostaria de passar o resto da vida, mesmo que eu morresse aos 200 anos. Corra atrás de seus sonhos. Só se vive uma vez. Você é do tamanho dos seus sonhos. A vida é aqui e agora. Querer é poder. Todos estes clichês que o mundo ocidental produziu nos últimos 50 anos vieram à minha cabeça, e num é que conseguiram me convencer de que eu deveria ir atrás da mulher?!
Resolvi adeqüar meu passo ao dos outros, entrar no ritmo da engrenagem e, qual um homem das cavernas, bater com meu tacape na cachola da fêmea e arrastá-la para a caverna, que nos dias de hoje atende pelo nome de conjugado-quarto-e-sala. No cruzamento seguinte, ela atravessou antes do sinal se fechar para os pedestres: eu teria que correr ainda mais se quisesse mesmo a cópula com aquele exemplar da espécie. A luz verde do semáforo acendeu, e como se tivesse ouvido o tiro de largada, saí em disparada. Uma vantagem de 50 metros foi reduzida à metade em menos de 5 minutos. Quando estava a poucos metros de alcançar a mulher, percebi meu cadarço desamarrado. Droga. Rapidamente voltei à minha corrida. No meio do quarteirão seguinte já estávamos lado a lado. E foi então que caiu a ficha. Eu não tinha a mínima idéia do que falar com ela. Você é a mulher mais linda do mundo e quero arrancar sua roupa agora, me pareceu um pouquinho assustador. Oi, simples assim demais. Você estudou no Promove? –adolescente demais. Tá indo almoçar? – óbvio demais.
Desisti. E considerei uma coisa: viver é sair por aí, perseguindo sonhos, enfretando sinais vermelhos e cadarços desamarrados, e quando a gente chega perto do nosso objetivo, simplesmente não temos a menor idéia do que fazer.
Viver é muito esquisito.
Quando me aproximava de uma esquina, vi uma mulher… digamos… Bem, ela me fez acreditar que nenhum adjetivo já existente seria digno para descrevê-la. Nenhuma palavra que eu usasse faria jus à ela. Era a mulher com quem eu gostaria de passar o resto da vida, mesmo que eu morresse aos 200 anos. Corra atrás de seus sonhos. Só se vive uma vez. Você é do tamanho dos seus sonhos. A vida é aqui e agora. Querer é poder. Todos estes clichês que o mundo ocidental produziu nos últimos 50 anos vieram à minha cabeça, e num é que conseguiram me convencer de que eu deveria ir atrás da mulher?!
Resolvi adeqüar meu passo ao dos outros, entrar no ritmo da engrenagem e, qual um homem das cavernas, bater com meu tacape na cachola da fêmea e arrastá-la para a caverna, que nos dias de hoje atende pelo nome de conjugado-quarto-e-sala. No cruzamento seguinte, ela atravessou antes do sinal se fechar para os pedestres: eu teria que correr ainda mais se quisesse mesmo a cópula com aquele exemplar da espécie. A luz verde do semáforo acendeu, e como se tivesse ouvido o tiro de largada, saí em disparada. Uma vantagem de 50 metros foi reduzida à metade em menos de 5 minutos. Quando estava a poucos metros de alcançar a mulher, percebi meu cadarço desamarrado. Droga. Rapidamente voltei à minha corrida. No meio do quarteirão seguinte já estávamos lado a lado. E foi então que caiu a ficha. Eu não tinha a mínima idéia do que falar com ela. Você é a mulher mais linda do mundo e quero arrancar sua roupa agora, me pareceu um pouquinho assustador. Oi, simples assim demais. Você estudou no Promove? –adolescente demais. Tá indo almoçar? – óbvio demais.
Desisti. E considerei uma coisa: viver é sair por aí, perseguindo sonhos, enfretando sinais vermelhos e cadarços desamarrados, e quando a gente chega perto do nosso objetivo, simplesmente não temos a menor idéia do que fazer.
Viver é muito esquisito.

13 Comentários:
Sua última frase resumiu a vida.
Tomara que consiga sair disso....
Gente que texto legal, rsrsrs
amei! aaah às vezes é melhor não ter falado nada mesmo. ou não... sei lá.
Mas fiquei torcendo pra que vc tomasse coragem até o fim da leitura.
Gostei. E melhor ainda foi verificar que finalmente gostei de um blog feito por um homem, geralmente eles não são muito bons nisso
Vi vc no blog da cris
abraços
Muito esquisito mesmo... ainda bem que vc atualizou, fico com sindrome de abstinencia sem o texto da semana. Voce e Contardo. Beijocas
Devia ter olhado nos olhos dela com profunda admiração e falado: TCHACA GATA!
beijos
falou tudo ... viver é esquisito e "ultrapassa qualquer entendimento"
Adorei conhecer seu blog, volto sempre.
rs
Falar qualquer coisa era melhor q desistir. Talvez o medo de destruir tudo o paralisou. Mas vc tb perdeu a chance de realizá-lo... E se a mulher não resistisse a um caipirão?!?! =) E se? Viva com isso.
Quero mais um conto! Tá demorando demais!
É esquisito e bastante dolorido...
Ela estudava no Promove?
Estudei no Promove! Quem sabe?...rs...Brincadeira. Não resisti.
Adorei seu texto.
Beijos
amei! vou voltar.... e viva o galo também
uma
umacozinha.blogspot.com
Na moral, você escreve MUITO.... todos os textos são de sua autoria?? Me apaixonei... muito bons!!
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